quinta-feira, 31 de julho de 2008

DIFERENÇAS

Ultimamente tenho ouvido muito sobre diferenças: de classe, de cor, de opinião, de sexo, de escolhas... Isso me fez pensar o quanto as pessoas falam mas não se ouvem. Afinal é mais fácil criticar isso ou aquilo do que realmente mover uma palha para modificar o que incomoda, pinica, cutuca. Por que será que o outro incomoda tanto? Será ele mesmo ou alguma coisa em nós que nos alerta para que mudemos nosso comportamento, nossos hábitos. Hábitos sim! Como escovar os dentes todos os dias sem prestar atenção no que faz, mecanicamente; assistir TV enquanto come alguma coisa; comprar um brinquedo última geração para o filho mas não brincar com ele; ser atendido pelo garçom solícito sem ao menos perguntar seu nome (vale também para o motorista/cobrador do ônibus de todos os dias, o porteiro do prédio); ter um animal de estimação mas não dar a ele a mínima atenção, além de água e comida. Quantas pessoas conhecemos que passam assim pela vida, sem prestar atenção, sem olhar para os lados, vendo sem enxergar, ouvindo sem escutar? Será que ao cobrarmos tanto dos outros não percebemos que esse é o primeiro sinal de insatisfação com nós mesmos? Sim, porque quando REALMENTE olhamos para o mundo e tudo aquilo que o compõem, nos tornamos simplesmente mais humanos, com erros e acertos, todos na mesma estrada, agradecendo as diferenças que nos fazem aprender com outras opiniões, conhecer novas etnias, culturas, estilos de vida, e saber que podemos todos conviver tal qual flores diferentes num mesmo jardim, ou como o brilho do Sol entre nuvens de chuva.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

ENCONTRO

Quando você menos espera a disponibilidade de viver que existe em você aparece. Sem dia nem hora marcados. Num encontro casual, com uma pessoa que não é sua amiga, apenas conhecida, você diz: "Olá, quanto tempo! Senti sua falta porque percebi que você não tem aparecido nos últimos dias..." A pessoa sorri, se dirige a você e sem mais sem menos, te abraça. Você retribue o abraço, aconchega aquele corpo junto ao seu e se espanta ao perceber que a pessoa chora em seu ombro. Você a aconchega um pouco mais, aperta o laço e ela simplesmente agradece. Você não pergunta nada, ela ao contrário, pronuncia palavras aos borbotões... "Estou muito triste, não sei o que está acontecendo, a vida não me serve pra nada..." Você a afasta do corpo mas não dos olhos, segura em suas mãos e diz: "Você não está sozinha, dê aqui outro desses abraços!" Aquele corpo retorna ao seu, agora mais íntimo, pelo momento compartilhado. Um sorriso se esboça no canto da boca e ela agradece. Você sorri e sem tirar as mãos dela, repete: "Você não está sozinha, somos amigos agora." Ela agradece novamente e tal qual uma criança desamparada lança a você um olhar curioso. "Por que?" - simplesmente pergunta. E você com seu melhor sorriso responde: "Porque ninguém se encontra por acaso..."
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