segunda-feira, 30 de março de 2009

MIMETISMO

Estava lendo uma reportagem de um desses astros que mostram suas aventuras no reino animal onde ele falava sobre mimetismo - adaptação na qual um organismo possui características que o confundem com um indivíduo de outra espécie, segundo o Houaiss, ou numa tradução livre, “quando as aparências enganam”. Ele contava que um dos animais que mais o deixam admirado é uma lagarta que quando sente o perigo, ergue a cabeça de onde surge um par de olhos falsos, dando a impressão de que ela é uma cobra. Fiquei pensando em como algumas vezes na vida somos surpreendidos com o “mimetismo” alheio, como se o slogan daquele velho comercial de tonalizante para cabelos continuasse em voga: “parece, mas não é”. Quando você por exemplo, acredita que uma pessoa é de um jeito com você e um belo dia é surpreendido com a verdadeira face. Sim, digo verdadeira porque ela já era assim. Por algum tipo de ilusão – o amor, a paixão, são bons exemplos - ficamos cegos. Não que todos nós não tenhamos nossos momentos camaleônicos... Mas algumas pessoas parecem que vivem assim, em transformação de acordo com seus interesses. Emendo aqui com um texto lido hoje sobre psicopatas e como encontrá-los na multidão. O jornalista fazia uma comparação com o gato e o rato. O gato come o rato porque tem fome, sem o menor sentimento. A diferença entre o rato e aquele que quer identificar o psicopata é que o rato já sabe quem é o GATO, nós não. Claro, não andamos por aí a procura de psicopatas, mas guardadas as devidas proporções, muitas vezes nos deixamos ludibriar pelo rato, ops, ou seria gato? Sim, deixamos, porque quase nada nos acontece sem nossa permissão. Isso faz com que “aquela coisa morna e ingênua” como dizia Cazuza, seja deixada cada vez mais para trás. Tenho lido muitos posts que falam sobre a descrença na vida, nas pessoas. Se estamos ainda vivos é porque temos MUITA coisa pra fazer. E não podemos ficar de braços cruzados! Estejamos mais alertas para não confundirmos carinho com interesse, ajuda por troca de favores, amizades com circunstâncias, emprego com trabalho, mentiras como verdades. Vivendo e aprendendo, separando joio do trigo, temos o livre direito de escolha e devemos fazer uso dele sempre! E que me sigam os bons, porque como disse o astro que falou sobre mimetismo, medo mesmo só tenho do bicho-homem!

sexta-feira, 27 de março de 2009

MAR AFORA

Vazio. Essa era a sensação. Um enorme buraco no peito, tão grande que a falta de ar denunciava a devastação. O vento após ter feito a curva no universo vinha trazendo cheiros, lembranças. O pensamento divagava. Sons guardados só em seu coração chegavam a seus ouvidos, inaudíveis para o resto do mundo. Uma mistura do barulho do mar com as tempestades no deserto. Queria que chovesse. Adorava ver os raios, as nuvens negras se aglomerando, uma a uma, até que a chuva caia, soberana. Lembrou dos tempos de infância quando tomava banho de chuva no meio da rua, livre, correndo com outras crianças. Por um momento seus olhos se encheram de água e quiseram voltar a esse passado tão inocente. Agora a chuva serviria para lavar seu corpo, sua alma, quisera que lavasse também todas as lembranças. Após esse banho, queria abrir novamente os olhos e se deparar com um dia claro, desses que amanhecem cedinho, em alto mar. Um frescor da brisa em seus cabelos e o Sol aquecendo sua pele aos poucos. Na verdade sonhava com tudo isso. Por dentro sentia um frio glacial, uma ferida mortal, que insistia ainda em sangrar no vazio. Sabia que não era a única pessoa a sofrer, mas cada dor é única. E ali, naquele momento, sua dor era a maior do mundo. Olhou pela janela. E ela estava ali, aberta.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Por amor

Existem momentos difíceis em nossa vida que a única saída é abrir o coração. Deixar que as palavras, os sentimentos (sejam eles bons ou ruins) saiam livremente. Quanto mais existo, mais percebo como isso dá um nó no peito, na garganta, um frio na barriga, porque nem todos estão dispostos a ouvir ou falar. Quando digo “abrir o coração” falo em escancarar a alma, sem medo, sem preconceitos, sem razão, apenas não calar este, aqui, que até então permanecia aprisionado no peito. Com poucas pessoas pude fazer isso, porque nem sempre as palavras são fáceis de dizer. Vale email, discurso, carta, bilhete, recado. Sim, porque para falarmos de verdade para o que vai dentro de nós, não há tempo, nem espaço. Ontem é como se tivesse acontecido há um segundo. Mesmo que o ontem já tenha se perdido em meses ou anos. O hoje pode se transformar em pra sempre ou nunca. O tempo é relativo também neste caso. Para abrir o peito, a alma, só uma regra: sinceridade. Mas como é difícil ser sincero até com você mesmo!!! Tem coisas que nem nós queremos saber... Seria mais fácil esquecer, ignorar, fazer de conta que nada está acontecendo. Mas esse é um exercício muito, muito mais difícil para quem acredita na vida. Aqueles que vivem realmente dificilmente fingem que nada está acontecendo, porque sabem o quanto cada segundo é precioso, urgente e específico. Até mesmo aqueles que nos surpreendem, que não esperamos. Hoje pude abrir meu peito e mostrar minha alma. E o que foi melhor: por amor.

terça-feira, 17 de março de 2009

CONSTRUÇÃO

Tenho pensado muito em como os sentimentos são construídos. Sim, porque amizades e amores “verdadeiros pra vida inteira em uma semana” são mais comuns no BBB... Um olhar pode designar um futuro bastante promissor, assim como um sorriso, um abraço, um aperto de mão caloroso. Comparo à construção de uma casa: tijolo por tijolo, uma frase, um silencio, outro olhar, mais cimento, mais união, mais “liga” na argamassa dos corações. Às vezes nos surpreendemos: num primeiro momento achamos que não vai dar em nada, “não fomos muito com a cara do sujeito(a)”, ele é chato, sem graça, mas com o tempo vamos descobrindo afinidades, particularidades, sensibilidades que acabam por nos conduzir a estradas paralelas, for a long, long time... E dizemos: “Nossa, do nada gostei de você...” Não acredito nisso. O poeta Manoel de Barros diz que quando achamos uma flor bonita, a beleza da flor já habita em nós. Acredito. Muitas pessoas nem mesmo sabem o que é uma flor... A felicidade vive batendo na nossa cara, pois a vida está repleta de oportunidades, belezas, flores, mas também de dores, quedas, ódios, ciúme e o pior de tudo, invejas. Mas fazemos nossas escolhas: uns escolhem viver sempre num “submundo próprio”, como se a nuvenzinha negra da Família Adams estivesse sempre ali, pairando. Outros, vivem rindo, nem mesmo sabem do que, talvez deles mesmos. Como diz o outro poeta, isso também é perigoso, não dá pra nunca nos levarmos a sério... O fato é que é difícil manter o equilíbrio, mas alguns nem tentam! E depois culpam o pai, a mãe, a humanidade, o azar, o vizinho. Esse é o famoso processo de vitimização. Os outros é que me fizeram mal, oh, que mundo cruel!!! Assim como a beleza da flor habita em nós, outros tipos de sentimentos também. Mas cada dia é único e hoje não somos mais os mesmos de ontem, nem os de amanhã (se chegarmos lá!).
Pimenta nos olhos dos outros é refresco? É mais fácil do que arregaçar as mangas e parar de maldizer a humanidade? Quero e tento com todas as forças viver um dia por vez. Mas sinceramente, meu coração dói com aqueles que desperdiçam a vida, o dia, a noite, a luta, a carne, o fogo, a água. Sem culpa, sem auto-comiseração. E como bem escreve meu amigo
JUNKIE CARETA – “me procure quando parar de sentir pena de ti mesmo.”
Uma vez ouvi que o Império Romano demorou cem anos para ser construído e muito menos que isso para ser destruído.
A confiança é um belo exemplo também.

quarta-feira, 11 de março de 2009

MAIS UM SELINHO!

Recebi este selo do meu amigo Cara de Trinta e preciso cumprir umas regrinhas aí. São elas:
1. Ao receber o selo, listar 7 coisas que te fazem sorrir.
2. Indicar o selo a 7 blogs que fazem você sorrir.
3. Informar aos blogs indicados que eles receberam o selo.
Vamos a lista:
1- Meus animais: duas cadelas, a Mila e a Filó, minha gata Biju e meus quatro pássaros: um casal de periquitos, meu canário e a calopsita que tem 16 anos comigo.
2- A intimidade e cumplicidade que tenho com meu marido!
3- Ver minha filha e meu genro decorando a casa deles.
4- Viajar!
5- Ter sido bem-sucedida em meu trabalho.
6- Admirar a Natureza de modo geral.
7- Terminar um dia bem!
Para receber o selo, indico em homenagem a semana da mulher, as amigas: - Cris Animal - Andrea - Luciana - Cami - Andrea Sassaki - Sophie - Dany

quarta-feira, 4 de março de 2009

BLÁBLÁBLÁ

Ficava pensando naquela mania dela de não parar de falar. Horas a fio, os mais improváveis assuntos e o que é pior: ela nunca tinha defeitos, só os outros. Eles é que eram sempre maus e cruéis, cometendo toda sorte de injustiças contra ela, pobre vítima. Em seu segundo casamento recém terminado, havia adotado aquele discurso sacal de que nenhum home vale nada, são todos uns cafajestes, só querem se dar bem. E ele ali, como bom amigo, continuava ouvindo. Gostava de ver até onde as pessoas chegavam. Ela, sua amiga desde a infância, continuava adolescente. De Balzac nem ouvira falar, mas já pertencia ao adjetivo. Achava leitura, “papos-cabeça”, política, artes, assuntos para quem não tem o que fazer. Herdeira, dizia que a vida era pra se viver, mas caía em contradição quando passava longos períodos isolada, trancada em casa, se dizendo em “depressão”. Ele pensava: “Isso sim, era falta do que fazer...” Saía com alguns homens sempre achando que com este ou aquele agora, seria diferente. Mas ela continuava a mesma. Ele pensava: “Como esperar de alguém aquilo que nem você mesmo consegue mudar?” Difícil. Mais difícil ainda é esperar dos outros aquilo que desejo. Mas ela se iludia, vivia pra cima e pra baixo com as amigas que gastavam tanto no shopping quanto ela, que caiam de bêbadas após a balada ou terminavam na casa de alguém que no dia seguinte, mal sabiam o nome. O último relacionamento havia durado mais do que qualquer um acreditava: seis anos. Ele, engenheiro bem-sucedido, logo percebeu a futilidade que o cercava. Tentou ter filhos, mas ela rapidamente saiu pela tangente: “Ainda não amor, vamos aproveitar mais a vida...” O engenheiro agradeceu o gesto quando o casamento chegou ao fim; talvez fosse mais um pra ficar na vida sem fazer nada e se achando o máximo. Ele, pelo menos não teria participação nesse legado para o mundo. O amigo a amparou, lhe deu o ombro, os lenços, as noites mal-dormidas quando o telefone tocava de madrugada para consolá-la. Os dias passavam e ela sozinha. Os anos passavam e ela sozinha. Ninguém agüentava mais a falação, a mania de contar vantagens, de querer se dar bem em tudo nesta vida. Por que ele ainda a aturava? Tinha medo da resposta, mas seu coração já denunciara: pena. E achando que esse é um sentimento ainda pior que o ódio, continuava ouvindo calado, porque ao final não adiantava discutir, ela achava que sempre tinha razão.

domingo, 1 de março de 2009

LONGE

Tantas aventuras... O pequeno homem e seu pai oferecendo sapoti, sem eles mesmos terem o que comer. A calda doce escorrendo da boca, ali, naquele calor do sertão. Longe de tudo e de todos, inacreditavelmente longe. Sabores novos, olfato a mil, o corpo todo em polvorosa. Engraçado que por mais longe que estejamos, sabemos o que trazemos no coração, pensou. “Talvez não revelemos nem a nós mesmos, mas que sabemos, sabemos.” Divagava. Sentada no rio, olhando o mar... Lugar solitário aquele. Nenhuma alma viva por quilômetros, a não ser a própria. Areias tão brancas como nunca os olhos dela haviam visto. Mas ela sabia que ele estava ali, observando-a. Ela sentia. Não entendia porque ele não dava nenhum sinal há meses, já que insistia em dizer a todos como sentia falta dela. Melhor assim? Existem coisas nessa vida que momentaneamente não tem explicação. Ela acreditava que com o tempo TUDO se explicava por si só. O achava covarde, só isso. Não acreditava em pessoas com medo da vida, de viver, do amor. Simplesmente não acreditava. Existem situações que acontecem apenas uma vez, com determinada pessoa e nunca mais. Quando o caso era esse, ela redobrava os passos dados. Porque já havia aprendido que para sentimentos bons o que interessa é o HOJE. Amanhã, o que será? No fundo ela tinha certeza que ele acompanhava todos os seus passos. Ela sabia. Só não entendia pra que. Mas isso já era outra história...
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