Diante de um Sol de Primavera, num céu com cara de outono, a vida passeia. Tal qual um oceano, milhares de gotas representam cada um de nós. Mas muitos de nós não somos mera multidão. Caminhamos, corremos, vivemos, sofremos, amamos, desejamos. É preciso ter humanidade pra tudo isso. Nem todo homem/mulher possui humanidade. Por mais vida que nosso corpo possa clamar, nem todos estão dispostos a vivê-la com seus altos e baixos, com amor e desamor, muitos com medo de sofrer, sempre antecipando o futuro e esquecendo-se do presente. Encontros acontecem a cada segundo se estamos com o rosto ao vento, com o peito ao Sol, para aquecer o coração. Para realizar a vida devemos estar atentos. Num momento de rara beleza me vejo como um sabiá que canta antes do Sol nascer. Ainda é madrugada alta, mas ele já está lá, disposto, com o peito aberto, advertindo a todos que após o breu, um novo amanhecer acontecerá. Como ondas no mar somos tragados de uma vez ao fundo, mas de repente emergimos. Em meio a tanta água, o céu desponta. Meu coração está pleno de alegria. Vejo que a Natureza a minha volta começa a se movimentar, iniciando um novo ciclo. Humildemente aguardo e me regozijo com a alegria alheia. O que será? Não sei. Não importa. O momento é hoje. Um sorriso no rosto é a porta de uma nova esperança, de um novo tempo. A vida começa outra vez. O que era branco demais, volta a ficar colorido...
