sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL

Que muitas pessoas são consumistas, isso eu sei.
Que tem outros tantos que gastam mais do que ganham e vivem com o pé na corda bamba, fato. Existem também aqueles que gastam mais do que devem para ostentar uma aparência que nada mais é que uma grande ilusão. Quantos não moram em mansões magníficas mas não tem o que comer? Cada um sabe de si e cuidar da própria vida já não é pouco. Mas o triste mesmo é que quando o assunto é dinheiro, as pessoas geralmente se transformam. Sejam da mesma família ou não. "Amigos, amigos, negócios à parte", já diz o dito popular. Mas algumas pessoas precisam de um certo "status" mesmo que não tenham um gato pra puxar pelo rabo. A aparência ilusória lhes dá mais segurança neste mundo tantas vezes capitalista. E assim seguem na vida, tal qual boiada, sem pensar em si mesmos, sem notar o mundo que as rodeia, o próprio cotidiano. Seguem surdas e distanciadas de sua verdadeira essência. Trocam momentos de reflexão por griffes, fama, sexo por sonhos.Tampam buracos afetivos com bens materiais e deixam de prestar atenção em si mesmos... Somos humanos e a vida nos coloca em situações onde somos todos iguais, como na doença. Prevenção é sinônimo de perda de tempo. "Eu quero tudo ao mesmo tempo agora!" E assim vemos muitos por aí, com o lema de "deixe a vida me levar". Triste, porque observamos cada vez mais solidão, distanciamento de si mesmo e gente se afastando de gente... Impossível não lembrar da trilha sonora acima.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

VOCÊ FAZ PARTE DISSO

terça-feira, 20 de outubro de 2009

SERÁ TARDE PARA RECOMEÇARMOS?

video
O vídeo fala por si só... O detalhe está numa letra escrita na década de 70 e que ainda me faz crer que nossa piscina continua cheia de ratos...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

AMIGOS DE ALMA

Gosto de gente. Sempre gostei.

Em toda a minha vida sempre trabalhei com pessoas. Costumo dizer que tenho o privilégio de admirar a alma de cada uma, naquilo que faço. Graças a essa observação, vou aprendendo através delas, um pouco mais de mim mesma. Com elas, aprendo a olhar o mundo de diversas formas. Às vezes com humildade, outras incrédula, questionando sobre preconceitos e afins, com paciência e aceitação (acredito que uma não anda sem a outra...), outras nem tanto, afinal sou humana e continuo aprendendo...

Trabalhar com gente nos dá a exata medida do poder que temos sobre alguém: nenhum. Cada um só pode mudar aquilo que quer, que está a fim, e isso independe de qualquer outra pessoa.

Quando as coisas ficam muito pesadas, me dedico inteiramente a outro amor que carrego no coração: os animais. Dedico-me é maneira de dizer, porque sabemos que os animais é que se dedicam incondicionalmente a nós! Com seu olhar sincero também perscrutam nossa alma, nosso humor, lambem nossas lágrimas e nos afagam com suas patas, pedindo colo, entregando seu calor. E sem pedir nada, absolutamente nada em troca.

Isso também acontece em momentos raros de nossa vida.

Conhecemos pessoas que começam a fazer parte de nossa vida e vão se instalando, devagarinho em nossos corações. E assim, sem mesmo conhecê-las pessoalmente, nos dão força, alegria e podemos sentir na distancia o poder de sua luz. Luiz, é com você, de coração: OBRIGADA! E um dia, tenho certeza, poderei retribuir num abraço sincero o bem que suas palavras de ânimo tem me feito nos últimos dias!

Deixo uma letra que traduz o que quero dizer a vocês neste momento e um vídeo para agradecer por fazerem parte da minha vida.

Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar En el valle, la montaña, En la pampa y en el mar Cada cual con sus trabajos Con sus sueños cada cual Con la esperanza delante, Con los recuerdos detras Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar

Gente de mano caliente Por eso de la amistad Con un lloro pa’ llorarlo Con un rezo pa’ rezar Con un horizonte abierto Que siempre esta mas alla Y esa fuerza pa’ buscarlo Con tezon y voluntad.

Cuando parece mas cerca Es cuando se aleja mas Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar. Y asi seguimos andando Curtidos de soledad Nos perdemos por el mundo Nos volvemos a encontrar.

Y asi nos reconocemos Por el lejano mirar Por las coplas que mordemos Semillas de inmensidad. Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar

Y asi seguimos andando Curtidos de soledad Y en nosotros nuestros muertos Pa’ que nadie quede atras.

Yo tengo tantos hermanos Que no los puedo contar Y una hermana muy hermosa Que se llama libertad

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

REMINISCÊNCIAS

Ganhei um selinho da minha amiga blogueira Gabitus com a tarefa de escrever sobre algo que quando criança eu achava que era bacana, mas que, quando cresci, percebi que não era tanto assim...

Muitas situações me vem à cabeça... Uma delas é a questão da morte. Quando somos crianças ouvimos muitas histórias quando alguém morre: virou uma estrelinha, foi morar com Papai do Céu, coisas assim. Só que crescemos e temos que aprender a viver, para con-(?)viver com a morte , que faz parte da história de todos nós e é nossa única certeza.

Quando perdemos alguém muito próximo, ficamos por algum tempo alheios à realidade. Lembro que logo que perdi meu pai, sempre que ia a uma livraria e via um livro interessante, que julgava que ele fosse gostar, pegava o livro e me encaminhava para o caixa. Muitas vezes só no ato de abrir a bolsa para pegar a carteira é que me dava conta de que não poderíamos mais discutir juntos a leitura... Percebi que ele pode ter virado uma estrela sim, com certeza está pertinho do Papai do Céu, mas quando criança ninguém me explicou que a saudade aumenta à medida que os anos passam... E o amor que sinto, ah, esse não mudou nada, só aumentou.

Ninguém me contou também que quando perdemos nossos pais, nos lembramos ainda mais de muitas e muitas palavras que eles um dia nos disseram e que na época, ignoramos. Tento resgatar esse tipo de situação estando mais atenta em ouvir não só minha mãe, mas todas as pessoas mais velhas que eu.

Quando criança eu tinha uma tia de quem gostava muito. Ela era famosa na família por ser uma exímia doceira. Até hoje, doces “quase iguais” aos dela só comi em lugares de altíssimo nível! Ela não tinha filhos e tratava a mim e meus primos como pessoas super importantes. Era uma festa ir visitá-la e encontrar uma mesa posta, repleta de iguarias dos mais diversos tipos, cores e sabores. Os anos passaram, ela morava em outra cidade e as atribulações da vida nos afastaram. Fui reencontrá-la décadas depois, em outro país, na casa de outra tia minha. Qual não foi minha surpresa ao perceber que ela é uma pessoa extremamente fofoqueira e negativa? Fiquei estarrecida ao ouvir meia hora de papo!

Talvez por isso faça doces tão bons! Um pouco de açúcar à sua volta de fato, não faz mal algum...

O fato é que crescemos e a vida é como o rio: um dia ele deságua no mar, não tem como voltar atrás. Que possamos todos guardar com alegria num pedaço do coração os momentos bons que tivemos quando crianças!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

MULHERES DE ATENAS

Semana passada tive que passar algum tempo num laboratório exclusivamente voltado para o público feminino, acompanhando uma pessoa e pude observar uma coisa que muito me entristeceu. Já postei aqui que somos privilegiados em estar aqui, conhecer pessoas, ter acesso ao mundo através da Internet, etc. Enquanto eu aguardava a pessoa realizar os exames, pude notar que muitas mulheres, das mais diferentes faixas etárias, ao receberem uma ficha para preencher, onde explicariam o motivo do exame, simplesmente tinham duas atitudes: “- Um minutinho, vou levar para meu marido/filho/neto/irmão lá na sala de espera preencher...” OU: “- Ah, você pode preencher pra mim? Não sei ler não...” Acreditem se quiserem. Eram mulheres como nós querida leitora, outras nem tanto, mas nenhuma delas sabia ler. Vocês já pensaram na dependência que isso significa? No corte profundo das descobertas do mundo? E até mesmo na maneira de observá-lo? Claro, existem muitas pessoas ainda analfabetas em nosso país, o que também não quer dizer que elas não tenham aprendido nada, pois todos sabem qual a melhor faculdade: a própria vida. Mas não deixei de sentir uma longa tristeza pela condição feminina, que ainda hoje mostra sinais de defasagens profundas, embora a maioria das mulheres bata no peito e diga: “Sou livre!” Sempre digo “Antes tarde do que mais tarde”, então acredito que o prazer da descoberta da leitura pode ser incentivado a qualquer momento! Numa articulação rápida, ontem fui dar aquela caminhada no Ibirapuera – para quem não é de São Paulo, um de nossos maiores e melhores parques – e vi um detalhe no lixo que me fez lembrar daquelas mulheres: ao jogar minha embalagem de água no espaço para recicláveis, lá estava um jornal, do dia, inteiro. Todos sabem que jornal de domingo tem de tudo para todos os gostos. Fico estupefata quando encontro um jornal novinho em folha no lixo! Por que não deixá-lo em cima de um banco, de uma mesa da lanchonete para que alguém também tenha oportunidade de folheá-lo, no mínimo? Moradora de uma grande metrópole sei que o individualismo é muito arraigado pelas ruas. Mas acredito que isso possa ser mudado por mim, por você. Infelizmente, alguém jogou uma garrafa ainda com liquido no lixo e o jornal tornou-se irrecuperável. Jornais podem ser úteis a alguém ou podem se tornar o primeiro passo para que a curiosidade da leitura se instale. Revistas podem ser doadas a asilos, orfanatos, etc. O que não dá mesmo é continuarmos pensando só em nós. Mesmo que joguemos o jornal no lixo reciclável. Foi também para isso que nós, mulheres, também nos tornamos mais independentes e cultas.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

FERIADO

Feriadão. Sempre que posso faço o inverso: todos vão para a praia/campo? Eu fico em São Paulo. Cidade mais vazia, um pouco de silêncio no ar, trânsito tranqüilo, milhões de opções quando o assunto é lazer.
Caminhada pelas ruas, quase sem carros, onde aproveito para dar uma olhada mais atenta no meu próprio bairro, na Primavera que já se anuncia. Paradinha na padaria para aquele café caprichado, com pão na chapa quentinho, passear com os cachorros... Tudo sem pressa, porque feriado é assim: vantagem de ter alguns dias de ócio.
Morar numa grande metrópole nem sempre é fácil; somos assolados por vários problemas conhecidos: trânsito, chuva, poluição, excesso de pessoas em determinados lugares, etc. Mas, é nos feriados que temos tempo para aproveitar o que na maior parte só é visto pelos turistas. Além de teatros e cinemas, aproveitei para ir conhecer o Museu do Futebol! Imperdível até para quem não gosta tanto assim do esporte!
Primeiro o local: o estádio do Pacaembu é simplesmente maravilhoso, com seus jardins em volta e o próprio bairro que contribui com sua beleza. Ok, há algum tempo inventaram que o Pacaembu seria o estádio daquele time que há 99 anos não ganha a Libertadores, e na lojinha do museu existem mais “recuerdos” do tal time do que de qualquer outro...
Existe uma sala, dividida em décadas, onde fotos e vídeos, música e sons, contam a história do futebol daqueles anos, situando o momento do esporte com o do País. Somos levados a um túnel do tempo emocionante, onde encontramos desde Garrincha, Pelé, mas também Novos Baianos, Beatles, Elis, Airton Senna, Diretas Já e tantos outros fatos que nos transportam a momentos de nossa própria vida e, sobretudo ao que fazíamos na época. Impossível não se emocionar!
Exatamente debaixo das arquibancadas, subsolo mesmo, são passados vários trechos em tamanho natural, de flagrantes da torcida durante os jogos. É como se você fizesse parte de cada um deles, no exato momento que acontecem! E os sons que fazem parte desse espetáculo de projeções vão desde a batucada até o grito de GOL da massa!
Vemos pais, mães, jovens, crianças, torcedores com a camisa dos respectivos times de todo o Brasil e algumas do mundo, com os olhos marejados, perdidos talvez num tempo em que muitos cantavam “Pra frente Brasil, salve a seleção” e acreditavam nisso. Programa super recomendado! Na saída existe uma lanchonete vizinha à loja do museu, onde claro, um cafezinho é o ideal para colocar as emoções no lugar. Pergunto ao garçom se trabalham em dias de jogos. Ele ri e diz: “A senhora conhece o time da casa? Pois é: se o time deles ganha tem briga, se perde também!!! Deus me livre estar aqui nesses dias! A gente mantém a lanchonete fechada!!!” E depois ainda dizem que é preconceito.