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sexta-feira, 26 de setembro de 2008

SACO CHEIO

Tenho ouvido tanta gente dizendo que está cansada, que tudo anda irritando ultimamente, que está sem saco pra um monte de coisas... Às vezes me pergunto se isso não é algo contagioso, pois o resultado parece uma epidemia. Em alguns momentos dá até medo de perguntar “Tudo bom?” para algumas pessoas. Elas começam a desfiar um rosário de reclamações, alguns impropérios, emendam com críticas ao Governo, às eleições, ao tempo e por aí vai. Penso que o que está faltando mesmo é amor em suas mais diversas formas. Amor de um ombro amigo, uma orelha simpática que só nos ouça sem emendar a famosa frase “ah, comigo aconteceu assim...”, amor de silêncio, amor de sacudir as estruturas para que possamos cair em nós mesmos, amor para que possamos NOS ouvir. Sim, porque tem um monte de gente surda por aí. E quando eu digo surda, eu digo de si mesma. Na linha da projeção, onde criticamos no outro o que temos de pior em nós mesmos, observo que muitos não sabem fazer outra coisa senão reclamar. A insatisfação não está fora. Mas olhar pra dentro é uma aventura e tanto. Ultimamente apenas alguns ousam. Sair da mesmice é difícil. “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” (Clarice Lispector)
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