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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

ALMOÇO

Outro dia observava uma mesa num restaurante onde estavam o casal e dois filhos. Um deles tinha por volta de quatro anos e o outro, uns seis meses. Este último estava o tempo todo no colo da ... babá. Toda vestida de branco, num canto da mesa, um pouco distante das outras pessoas, cuidava do bebê. Dava papinha, limpava a boquinha, suquinho, uma fruta amassada, para logo a seguir se encaminhar com o bebê no colo para o banheiro do restaurante. Claro que sabemos com qual finalidade (Não, não era afogar o bebê ou seqüestra-lo – ele voltou são e salvo minutos depois). Enquanto isso, os pais discutiam sobre a crise mundial, o valor das contas, a escola do garoto mais velho e este, desenhava com um estojo gigante de lápis de cor na toalha branca de papel que cobria a mesa. A babá voltou e ninguém – nin-guém – havia dado a falta dela e da criança. E tampouco a viram sentar novamente reclusa na ponta da mesa. A pele negra reluzia de suor e seus olhos demonstravam cansaço. Talvez a criança tivesse dado algum tipo de trabalho na troca da fralda, quem sabe? Ou somado a isso, outros problemas lhe assomavam a mente. Pensei na Princesa Isabel e no esforço que teve ter sido a proclamação da Lei Áurea. Por que me lembrei disso? Porque ainda hoje estamos cercados por sinhás, sinhôs de engenho, sinhozinhos e sinhazinhas. A única diferença é que os escr..., ops, empregados e funcionários tem “liberdade” para voltarem e terem suas próprias casas. Tem liberdade?
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