quarta-feira, 24 de junho de 2009

GATO PRETO DÁ AZAR

video

Como o assunto ANIMAIS é inesgotável (para quem os ama, bem entendido), e como costumo observar relações cada vez mais semelhantes entre estes e os humanos, cabe aqui mais uma delas. Um dos problemas que afetam qualquer tipo de relação ainda é o preconceito, seja ele velado, explícito em maior ou menor grau.

Sempre fui cercada por animais em todas as fases da minha vida. Quando criança tínhamos em nossa casa gatos, pássaros, cães, livres ou não. Naquela época ninguém falava em castração responsável, de modo que os animais saíam livre e as fêmeas invariavelmente, apareciam com suas ninhadas inesperadas. Delas resultavam filhotes brancos, negros, bi e tricolores, rajados, etc. Todos eram criados da mesma forma, com o mesmo carinho. Algumas vezes acontecia de um nascer cego ou com algum problema de locomoção numa das patas, talvez pelos cruzamentos entre os próprios familiares. Não me lembro em tempo algum, que esses filhotes tenham sido discriminados por seus semelhantes, pelos outros animais ou por qualquer dos humanos que os cercavam. Para os animais não existem diferenças.

Minha querida Maria Augusta, do ANJOS PARA ADOÇÃO, conta que sua gatinha de três patas se movimenta livre e graciosamente entre os outros gatos, já que estes não parecem notar que ela tenha alguma coisa diferente deles. E o mais importante: ELA nunca se comportou como se tivesse diferenças...

Recentemente adotei uma gatinha preta com os olhos alaranjados, já falei dela em posts anteriores. Geralmente são esses filhotes que ficam por último nos gatis, às vezes até se tornarem adultos, perdendo a chance de terem um lar. São rejeitados por causa de sua COR. Diz a lenda que gatos pretos dão azar!!!

Parafraseando mais uma vez a Maria Augusta, "o que dá azar não é a cor, é a ignorância"! Que força é essa que transferiros e auferimos a um ser que nos pede apenas carinho e cuidados, nos devolvendo amor incondicional? E quantas vezes nesta vida não fazemos a mesma coisa com pessoas? Quando vemos um animal com três patas, cego, ou com qualquer tipo de dificuldade, somos nós que sofremos porque o preconceito já habita nosso coração.

Minha gatinha preta, Jolie, tem agora seis meses. Foi achada numa estrada, à noite. Além de conviver pacificamente com os outros animais da casa, sobe e desce escadas com três pulos, escala a rede de proteção das janelas muitas vezes de costas, pede petiscos quando os cães ganham, e nas últimas semanas desenvolveu sozinha mais duas habilidades: pula nos tricos das portas para abri-las e gira a torneira da cozinha com as patas para brincar com a água que escorre... Sim, a lenda também diz que gatos não gostam de água...

E os padrões impostos pelos humanos atingem raças (os cães da moda), cor (gato preto dá azar, cachorro branco suja muito), sexo (fêmeas dão mais trabalho quando entram no cio, cães macho fazem os donos passarem vergonha em relação as pernas das visitas) e temperamento (pitbull é assassino - vejam o vídeo do post anterior).

Tudo isso não significa mais que uma palavra: ABANDONO. O mundo pode transformar-se a cada segundo, novas descobertas da Ciência podem acontecer a qualquer momento, mas enquanto o homem não rever suas próprias origens, o desamparo tende a imperar. Não é só nos gatis e sociedades protetoras que vemos tantos gatinhos chegarem à idade adulta por serem enjeitados pela cor, sexo, raça. Que tenhamos a humildade de perceber que os gatos são todos IGUAIS.

Ah, quase esqueço de contar: nunca tive tanta sorte desde que a Jolie chegou aqui na família...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

AMIGOS INCONDICIONAIS

video

Muito se tem falado sobre proteção aos animais, defesa do meio ambiente, como salvar nosso planeta, e tantos outros assuntos ligados a preservação das espécies, incluindo a nossa. Acredito em alguns movimentos pelo mundo que realmente se interessam pela CAUSA e não pelos patrocínios e possíveis "networking" que possam surgir ao longo do caminho. Mas acredito, sobretudo, naquele "tijolinho" que nós mesmos podemos colocar no dia a dia, com atitudes aparentemente simples, mas que nem sempre aqueles que possuem animais compartilham ou praticam. Explico: não adianta cuidar de seu cão de estimação como se ele fosse um príncipe e não recolher os dejetos que ele “causa” ao passear pelas ruas. Não adianta levá-lo para passear duas ou três vezes ao dia e puxar a coleira com tamanha força como se ele fosse de plástico. Limitá-lo a uma área de serviço fria, sozinho na maior parte do tempo, sem atenção, para que ele não bagunce sua casa. Ora, quem gosta de animais verdadeiramente sabe que tanto quanto nós eles procuram carinho, cuidados, olho no olho, calor. Não são seres inanimados que ao acionarmos um botão eles funcionam e quando não queremos mais brincar, os largamos em qualquer canto. Não é fácil ter um companheiro desses em casa; eles tem horários para comer, beber, passear, vacinar e tantas outras coisas que demandam cuidados que já soube de histórias verídicas como a do pai que no dia seguinte de ter adquirido um cãozinho para a filha (a menina insistiu muito), veio devolve-lo porque o cão fazia muito xixi e coco. (!) Comparo a escolha de conviver com um animal com a de um casamento; só que no primeiro caso, o companheiro dependerá pra sempre de você (claro, existem outras vantagens, mas não é o tema deste texto... ;) ) e REALMENTE te fará companhia. Quando eu era criança, minha mãe me ensinou que para aquele cãozinho ou gatinho pequenino dentro do cesto, eu, naquele momento passava a ser “mãe” dele – dependeria de mim para comer, beber, vacinar, etc. Um bom exemplo de responsabilidade para uma criança através do amor. Mas continuo vendo animais abandonados nos prédios durante as festas de final de ano, onde as famílias viajam e os deixam ao cuidado de pessoas que tem somente a obrigação de dar alimentos e não carinho. Os uivos são coletivos.
Existem também aquelas famílias que ao se mudarem para outro lugar, deixam o cão ou o gato amarrado ao portão da antiga casa para que alguma “boa alma” se compadeça ao passar e o adote. Já presenciei casos de animais presos ou não no portão de suas casas, esperando os donos “voltarem”. Muitos também se rendem ao modismo – sim, modismo de ter o cachorro do “momento”; passado algum tempo não é de se admirar o número de pitbuls abandonados, dentre outras raças. Já visitou a União Protetora dos animais de sua cidade? Não? Então faça uma visita quando possível. Será surpreendido como eu fui com histórias fantásticas como a da pitbull com três patas – uma teve que ser amputada devido aos maus-tratos que sofreu por não ser feroz como o dono desejava; o cão pastor alemão que serviu como guarda durante catorze anos numa empresa de segurança e hoje, completamente psicotizado, não deita em nenhum momento: fica sentado, atento, esperando qualquer perigo. Ao ser preso em sua baia, anda para lá e para cá, rosnando, intranqüilo. Ou os filhotes vira-latas que foram jogados pelo muro na calada da noite, com a mãe, inclusive. Os abrigos estão repletos de futuros amigos, daqueles que não precisamos comprar, apenas amar. Além de contribuirmos para proporcionar um lar para aquele novo amigo, contribuímos também para que o comércio ANIMALESCO dos canis acabe. Amar, mas incondicionalmente, tal qual eles fazem conosco. Eu sempre ouvi falar que um animal adotado é eternamente agradecido ao novo dono e demonstra isso sempre que possível. Sou prova viva desse amor todos os dias quando acordo e sou bombardeada por beijos de focinhos gelados e muita festa, numa disputa de quem será a primeira a me cumprimentar, entre gatas e cadelas.
Um dia desses, passeava eu pela rua com minhas cadelinhas Mila e Filó, devidamente municiada com um saquinho de plástico nas mãos, quando uma desconhecida ao passar por mim, falou num tom suficiente para que eu ouvisse: “Graças a gente como você, as ruas e o dinheiro público são desperdiçados. Era mais fácil matar esses animais...” E seguiu andando. Rapidamente, num tom ligeiramente alto o suficiente para que ela ouvisse, comentei: “Realmente uma pena que tantos ANIMAIS possam andar pela rua livremente...” A desconhecida parou, olhou para trás e sem resposta, continuou a caminhar. Não culpo quem não gosta de animais e muito menos julgo, cada macaco no seu galho. Mas nesse mundo repleto de dificuldades e individualismo em que vivemos, é muito, muito bom termos com quem compartilhar nosso amor, nossa solidão, nossa vida.
PS: E para quem quer adotar um amigo(a) é só clicar no link "ANJOS PARA ADOÇÃO" na margem direita do Blog!