sábado, 30 de janeiro de 2010

PRA FRENTE!



Ontem ouvi novamente uma historinha que talvez seja velha para alguns e inédita para outros. Conta que um mestre caminhava com seus discípulos e ao chegar ao sopé de uma montanha avistaram uma casinha muito simples e no terreno que a circundava uma vaquinha pastava. Postaram-se de modo a poder observar sem serem vistos quando viram aparecer o pai, a mãe e dois filhos que provavelmente tinam acordado naquele momento. E ali passaram o dia, as crianças brincando e seus pais, volta e meia retiravam da vaquinha o sustento daquela família.

O mestre pede aos discípulos que na calada da noite joguem a vaca precipício abaixo. Os jovens ficaram indignados com tal proposta, argumentaram que o que seria daquela família se perdessem seu único sustento, mas o mestre impassível, repetiu a ordem. E mesmo contrariados os discípulos cumpriram a ordem. Partiram após o fato. Mas mesmo passados alguns anos, eles ainda se puniam em pensamentos pelo destino que haviam colaborado aquela família a ter. Combinaram, não sem antes avisar o mestre de suas intenções, que voltariam ao lugar para ver o que havia acontecido. Assim fizeram. Chegando lá, nada restava do casebre humilde, nem tampouco da família. No lugar havia uma mansão, com três carros na garagem, pastos a perder de vista, várias cabeças de gado e cobrindo quase toda a montanha uma plantação de árvores frutíferas a perder de vista. Ali, era fácil observar, só existia progresso. Bateram palmas na porteira bonita e um homem apareceu. Perguntaram sobre uma família que morou ali tempos atrás. E para espanto dos rapazes o homem respondeu: “Eu sou o homem que vivia aqui com minha família e o único bem que eu tinha: uma vaquinha.” – Assustados com o provável final da história, crentes que o homem havia vendido a propriedade para sobreviver perguntaram: “Mas agora o senhor é empregado aqui?” – “Não, respondeu ele. Sou o dono de tudo o que seus olhos podem ver. Imaginem que uma noite, minha vaca desapareceu. E com ela foi-se o sustento de minha família. Andei quilômetros a procura dela, sem nunca achá-la. Nessa peregrinação conheci muitas pessoas que me ajudaram e me ensinaram novas formas de sustento. Arei a terra, semeei, e sob chuva ou Sol, fui progredindo, com a ajuda de minha mulher e meus filhos. Prosperei tanto que hoje sou dono de tudo isso.”

E assim é a vida para aqueles que não se acomodam, pensei novamente ao ouvir o fim da história conhecida, mas sempre atual. Às vezes nos acostumamos, acomodamos com situações ou pessoas, o que acaba por impedir que possamos dar mais um passo em busca de nossa própria evolução. Mas, vem a vida e implacável nos empurra pra frente. Aqueles que já compreenderam que nada se ganha vivendo do passado, cultivando maus pensamentos, no melhor estilo Hardy Har-Har (é, abri o fundo do baú hoje...), arregimentam forças para ir em frente, como o homem fez ao perder a vaca. As oportunidades nos são dadas dia a dia e todos eles são sempre um recomeço, uma nova chance de recomeçarmos.

Estamos em um novo ano, inteirinho para desfrutarmos. Chove muito aqui em São Paulo, como há 63 anos não acontecia. Vemos miséria em muitos bairros, desolação, doenças, falta de tudo. Podemos ajudar, sempre, mesmo à distância. Se não for materialmente, podemos dar um abraço, uma palavra, ouvir a dor daqueles que nem conhecemos. Se até isso for difícil, podemos orar, emitir bons pensamentos para todos que necessitem possam ter mais força, fé, esperança. Podemos sempre nos unir pelo mundo, juntos. E cada um pode fazer sua parte.

Numa Foto de Almeida Rocha para A Folha de São Paulo de 23/01/2010, o peixe que apareceu no túnel alagado, recolhido pelo gari responsável pela limpeza. O túnel liga bairros nobres da cidade de São Paulo e o lago mais próximo - do Parque Ibirapuera - fica distante alguns quilômetros.


Além disso, cada dia conhecemos pessoas novas e eu particularmente, adoro isso. Neste comecinho de ano farei dois cursos – um longo de dois anos, outro um “retiro” de duas semanas. Ambos têm como pano de fundo o amor, o respeito e principalmente o “saber ouvir” o semelhante. Muitos falam, falam, mas sequer se escutam. Agradeço pela chance que tenho de estudar sempre, de conhecer novas pessoas, de ter para onde voltar e ser cercada de pessoas onde tenho troca. Isso, não há dinheiro que compre nesse mundo. E essas dádivas me fazem ir pra frente, sempre. Sem dúvida, sem medo. Tenho fé e isso só traz até mim tudo o que minha sintonia permite. Com o passar dos anos nos tornamos mais seletivos - afetivamente, inclusive. E percebo que o que não é para nós, o que não nos serve, se afasta ou é afastado de nós. Às vezes é preciso paciência para “lermos” os sinais, mas acredito que no fundo de nosso coração sempre sabemos o que é melhor.

O vídeo é uma relíquia, mas a música também continua a ser atual! Grandeee abraço!




5 comentários:

Francisco disse...

Amiga querida!
Como sempre, adorei o seu post. Inteligente, profundo, e com uma mensagem incrível.
A acomodação, o viver do passado, o medo do futuro, ou até mesmo a falta de auto-estima, levam muitas pessoas à terem uma vida medíocre e triste.
Uma "vaquinha no precipício" sempre é bom para mexer com a gente! rsrs
Bons cursos à vc!
E a Gabi e o Sergio? Conta as novidades, tá?
Aquele beijo!

P.S. Convidei vc para o meu Orkut. Se quiser ser minha amiga lá também... rsrs!

Taw disse...

Concordo... mesmo se a situação dele não fosse tão ruim, acredito que o certo é sempre buscar mais, e ter mais... eheheh isso é o que mais gosto no sistema econômico atual [capitalismo]...

antes que pense mal de mim... hehehe, claro que sou contra toda injustiça.

Sylvio de Alencar. disse...

Muito legal a história da vaquinha, quer dizer: menos pra vaquinha.

Morava em SP, desisti.
Mas tem muita gente boa por aí!!!

Pensamentos bem direcionados.

Abraço forte!

Dama de Cinzas disse...

Muito interessante essa história e muito verdadeira!

Me fez lembrar algo que sempre digo, que a gente tem a coragem que precisa... Temos uma força dentro da gente que nem imaginamos...

Beijocas

ML disse...

Sua nova página e foto ficaram lindas.

bjnhs