domingo, 3 de abril de 2011

NÃO SE FAZEM MAIS MULHERES COMO ANTIGAMENTE. NEM HOMENS.



     A Danuza Leão publicou o texto abaixo na Folha De São Paulo de hoje. Vale a leitura.

Receita para uma união feliz

Algum homem, nos últimos tempos, disse a alguma mulher que por ela seria capaz de tudo?




QUEM QUISER conhecer mesmo a evolução do mundo feminino nos últimos tempos basta fazer uma pesquisa tomando como base músicas do passado. As letras, é claro.
Outro dia acordei me lembrando de uma delas -isso me acontece às vezes- e me diverti. Não sei quem foi o compositor, mas ele era um gênio (e mais folgado, impossível).
Faz uma grande declaração de amor, nos moldes dele, a Celina, e penso que nenhuma mulher, nos dias de hoje, é venerada como ela foi. Começa assim: "Mulher, mulher é Celina, as outras são imitação" -até aí, tudo bem, tudo lindo, mas emenda com "me lava os pés quando chego, e me chama de papai". Alguma mulher recebe seu homem assim? A declaração continua: "duvido que as outras façam o que a Celina me faz, e por causa da Celina de tudo eu serei capaz". Pena que o jornal não tenha áudio -ainda.
Vamos combinar: algum homem, nos últimos tempos, disse a alguma mulher que por ela seria capaz de tudo? É claro que não; elas, que se queixam tanto dos homens, tinham que aprender com Celina, mas pensa que acabou? Não duvide, pois Celina fazia ainda mais, muito mais.
"De manhã me faz a barba, de tarde me dá beijinho, engoma o meu terno branco, e eu saio bonitinho", diz o samba.
E tudo isso, penso eu, sem pedir nada em troca, sem querer que ele assuma seu lado feminino, que ajude a lavar os pratos, sem discutir a relação, tem melhor do que a Celina? É claro que esse homem devia ser muito especial, para ter uma mulher com quem não dividia as despesas -"mulher minha não trabalha fora", ele devia dizer- e que só pensava em uma coisa: fazer feliz o homem que amava, grande Celina.
E vamos agora ao grand finale: "Se eu finjo ficar zangado, ela diz que sou um à toa", e conclui "você pode chegar muito tarde, que lugar de homem é no meio da rua", e aí vem o breque, "Celina".
Uma obra-prima, e penso que foram as tantas comemorações do dia, ou do mês ou do ano, nem sei mais, da Mulher -com maiúscula- que me fizeram lembrar desse samba e fazer uma pequena homenagem aos homens.
Não são as mulheres que têm do que se queixar, mas sim eles; qual a mulher, em 2011, que engoma o terno do marido para ele sair bonitinho? Elas são emancipadas, livres, têm os mesmos direitos que eles, como queriam, e ainda reclamam? Celina não reclamava de nada, e parecia ser bem feliz.
Mas esse homem também devia ser o máximo -e qual homem, em 2011, é assim? Eles hoje chegam em casa cansados, falando da sórdida troca do presidente da Vale, da taxa Selic, se a usina de Belo Monte deve ou não ser construída, se a importação de produtos da China está atrapalhando o comércio do Brasil. Qual a mulher que quer saber dessas coisas? Só Dilma.
Quando ele chegava em casa, Celina, enquanto lavava seus pés, devia ouvir as mais ternas e safadas declarações de amor, e é disso que mulher gosta, aliás, gostava. Se as mulheres aprendessem com Celina, a vida conjugal poderia ser muito mais bela, e isso sem nem falar da heroína nacional, Amelia, que achava bonito não ter o que comer.
Qual, já não se fazem mulheres como antigamente. E nem homens.

3 comentários:

ML disse...

Carlinha, tu postas pouco , mas postas maravilhosamente bem. Como desfile de alta costura: qualidade é o que importa. E poucos a tem.
No começo (da leitura), fiquei com pena da Celina, depois eu ri muito com a Celina, e agora começo a achar que talvez, depois de um tempo (de casamento, relação, frustação,grana...), quantas de "nós" ainda tem um que ou mais da Celina, na tentativa de preservar a "união".
Celinas, Amélias, "sweet women", que de verdade tinham pouco.
Mas pra eles, doces tolinhos, o doce não engorda. Emagrece, pena que apenas o "budget" deles. Mas isso é assunto pra outro comment ; > )

bjnhs

Francisco Santos disse...

Bom dia Carla Rocha. Ao divulgar o meu blog vou encontrando pelo caminho outros igualmente interessantes. Parabéns. Já agora quero informar que este tipo de homem está quase em vias de extinção, digo quase por ainda cá estou. É o que dizem :) Convido a ver a minha galeria sobre pintura (franciscosantosarte.blogspot.com)e se poder divulgar agradeço.

Cumprimentos

Francisco

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Fazem, sim, Carla...é só procurar "Um mundo, para chamar de nosso", para constatar.
"Da Cadeirinha de Arruar", uma mulher, que agora lhe acompanha,foi feita mulher e assim permanece, respeitando o homem, como da mesma espécie...veja, até rimei, fiz poesia, então, com os gêneros...
Gostei, daqui...
Eu vou>>> mas volto,
com um abraço...