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quarta-feira, 29 de abril de 2009

SE NADA MAIS DER CERTO

Se deparou com esse título de um filme premiado e divagou. “Se nada mais desse certo, eu já tive você em meus braços e isso, ora, isso é inesquecível. Se nada mais desse certo, já tomei banho de chuva na rua, molhei os pés na beira do rio, me escondi atrás da cachoeira. Subi a montanha, desci a estrada, tropecei no caminho, me ralei todo, me sujei de lama, rasguei as roupas, gritei a plenos pulmões. Corri nu, deitei ao Sol olhando o céu e ouvindo os pássaros. Dirigi a 200 km por hora, parei pra admirar a grandeza do mar, dei tapa na cara, falei palavrão, trovas de amor, cochichei no ouvido. Senti arrepios, dor de barriga, nó na garganta, frio na espinha, torcicolo, enxaqueca. Mergulhei de cabeça, fui superficial, fui fundo, fiquei boiando. Morri e nasci várias vezes e ainda faço agora. Olhei pra trás, mirei o horizonte, vi mais longe que a aba do meu chapéu. Fui burro, fui anta, fui gato, fui cachorro, fui lobo, sou gente. Da boa, na boa, do bem. Fui, voltei, não devia ter ido, retornei. Fui vadio, trabalhador. Algumas coisas fui, outras sou. Se nada mais desse certo, sei quem sou, agora. E isso, bom, isso não é pouco.”
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