Aproveitando o começo do ano, cidade vazia (sim, isso também acontece em São Paulo!), nada melhor que uma caminhada para energizar, recuperar as forças depois das Festas.
Adoro caminhar sem destino, sem horário. E falo de andar a pé, observando casas, pessoas, árvores e tudo mais que aparecer pela frente. Descobrir ruas novas ou as mesmas de sempre, mas com outro olhar, diferente daquele que me acompanha quase o ano todo em meio ao trânsito da cidade grande, a pressa, a responsabilidade com os compromissos.
Bairros ajardinados, casas imensas, silencio total após a noite de fogos, risos e brindes. Os vigias tomando café na calçada, contando sobre as aventuras da virada do ano, cachorros se espreguiçando após passarem pela fresta da porta, esquecida entreaberta. Um cheiro de terra molhada, plantas, sinais da chuva que lavou o ano velho e batizou o novo. Silencio.
Lembranças do ano que PASSOU, planos para os dias que virão, alguns já sendo colocados em prática. Um bebê acena do colo de uma babá, com um Papai Noel nas mãos. Retribuo, sorrio e penso: “Tomara que ele sorria sempre, por toda a vida...”
Casais passam correndo, em ritmo de maratona, afinal o ano já começou!
Um carro passa aqui, outro acolá. A maioria das janelas ainda fechadas.
Dobro uma esquina e ao olhar para uma casa de muro baixo, jardim na frente, vejo reunida uma família de gatos! Brincando com a mãe, os irmãos rolam pela grama, aproveitando o dia que começa e o Sol que esquenta a terra molhada. Ali, simples, ingênuos, felizes, brincam entre si totalmente despreocupados com a vida à sua volta. Fico ali parada alguns instantes, sonhando, admirando os filhotes, que assim como o bebê humano, terão uma vida inteira pela frente com tudo que só o dia a dia é capaz de proporcionar.
Só um pãozinho torrado na chapa da padaria e aquele café quentinho para me trazer de volta à realidade e acreditar no ano inteirinho que tenho para caminhar...

