Semana passada tive que passar algum tempo num laboratório exclusivamente voltado para o público feminino, acompanhando uma pessoa e pude observar uma coisa que muito me entristeceu. Já postei aqui que somos privilegiados em estar aqui, conhecer pessoas, ter acesso ao mundo através da Internet, etc. Enquanto eu aguardava a pessoa realizar os exames, pude notar que muitas mulheres, das mais diferentes faixas etárias, ao receberem uma ficha para preencher, onde explicariam o motivo do exame, simplesmente tinham duas atitudes:
“- Um minutinho, vou levar para meu marido/filho/neto/irmão lá na sala de espera preencher...” OU:
“- Ah, você pode preencher pra mim? Não sei ler não...”
Acreditem se quiserem. Eram mulheres como nós querida leitora, outras nem tanto, mas nenhuma delas sabia ler. Vocês já pensaram na dependência que isso significa? No corte profundo das descobertas do mundo? E até mesmo na maneira de observá-lo? Claro, existem muitas pessoas ainda analfabetas em nosso país, o que também não quer dizer que elas não tenham aprendido nada, pois todos sabem qual a melhor faculdade: a própria vida. Mas não deixei de sentir uma longa tristeza pela condição feminina, que ainda hoje mostra sinais de defasagens profundas, embora a maioria das mulheres bata no peito e diga: “Sou livre!”
Sempre digo “Antes tarde do que mais tarde”, então acredito que o prazer da descoberta da leitura pode ser incentivado a qualquer momento!
Numa articulação rápida, ontem fui dar aquela caminhada no Ibirapuera – para quem não é de São Paulo, um de nossos maiores e melhores parques – e vi um detalhe no lixo que me fez lembrar daquelas mulheres: ao jogar minha embalagem de água no espaço para recicláveis, lá estava um jornal, do dia, inteiro. Todos sabem que jornal de domingo tem de tudo para todos os gostos. Fico estupefata quando encontro um jornal novinho em folha no lixo! Por que não deixá-lo em cima de um banco, de uma mesa da lanchonete para que alguém também tenha oportunidade de folheá-lo, no mínimo?
Moradora de uma grande metrópole sei que o individualismo é muito arraigado pelas ruas. Mas acredito que isso possa ser mudado por mim, por você.
Infelizmente, alguém jogou uma garrafa ainda com liquido no lixo e o jornal tornou-se irrecuperável.
Jornais podem ser úteis a alguém ou podem se tornar o primeiro passo para que a curiosidade da leitura se instale. Revistas podem ser doadas a asilos, orfanatos, etc.
O que não dá mesmo é continuarmos pensando só em nós. Mesmo que joguemos o jornal no lixo reciclável.
Foi também para isso que nós, mulheres, também nos tornamos mais independentes e cultas.
