segunda-feira, 14 de setembro de 2009

MULHERES DE ATENAS

Semana passada tive que passar algum tempo num laboratório exclusivamente voltado para o público feminino, acompanhando uma pessoa e pude observar uma coisa que muito me entristeceu. Já postei aqui que somos privilegiados em estar aqui, conhecer pessoas, ter acesso ao mundo através da Internet, etc. Enquanto eu aguardava a pessoa realizar os exames, pude notar que muitas mulheres, das mais diferentes faixas etárias, ao receberem uma ficha para preencher, onde explicariam o motivo do exame, simplesmente tinham duas atitudes: “- Um minutinho, vou levar para meu marido/filho/neto/irmão lá na sala de espera preencher...” OU: “- Ah, você pode preencher pra mim? Não sei ler não...” Acreditem se quiserem. Eram mulheres como nós querida leitora, outras nem tanto, mas nenhuma delas sabia ler. Vocês já pensaram na dependência que isso significa? No corte profundo das descobertas do mundo? E até mesmo na maneira de observá-lo? Claro, existem muitas pessoas ainda analfabetas em nosso país, o que também não quer dizer que elas não tenham aprendido nada, pois todos sabem qual a melhor faculdade: a própria vida. Mas não deixei de sentir uma longa tristeza pela condição feminina, que ainda hoje mostra sinais de defasagens profundas, embora a maioria das mulheres bata no peito e diga: “Sou livre!” Sempre digo “Antes tarde do que mais tarde”, então acredito que o prazer da descoberta da leitura pode ser incentivado a qualquer momento! Numa articulação rápida, ontem fui dar aquela caminhada no Ibirapuera – para quem não é de São Paulo, um de nossos maiores e melhores parques – e vi um detalhe no lixo que me fez lembrar daquelas mulheres: ao jogar minha embalagem de água no espaço para recicláveis, lá estava um jornal, do dia, inteiro. Todos sabem que jornal de domingo tem de tudo para todos os gostos. Fico estupefata quando encontro um jornal novinho em folha no lixo! Por que não deixá-lo em cima de um banco, de uma mesa da lanchonete para que alguém também tenha oportunidade de folheá-lo, no mínimo? Moradora de uma grande metrópole sei que o individualismo é muito arraigado pelas ruas. Mas acredito que isso possa ser mudado por mim, por você. Infelizmente, alguém jogou uma garrafa ainda com liquido no lixo e o jornal tornou-se irrecuperável. Jornais podem ser úteis a alguém ou podem se tornar o primeiro passo para que a curiosidade da leitura se instale. Revistas podem ser doadas a asilos, orfanatos, etc. O que não dá mesmo é continuarmos pensando só em nós. Mesmo que joguemos o jornal no lixo reciclável. Foi também para isso que nós, mulheres, também nos tornamos mais independentes e cultas.

10 comentários:

Cris Animal disse...

Carlinha, antes de mais nada obrigada pelas palavras no Rascunhos. caramba...que lindo! Aquela frase da Cecília Meirelles, vc acredita que minha mãe mandou fazer para mim como se fosse um quadro, colocou por trás a foto de uma primavera linda que tem no jardim da casa dela e essa frase. Me deu no dias das mães de um ano qu foi barra.
E vc agora, num momento incrível me diz essa frase....OBRIGADA.

Seu post...uau...corta o coração, né? Dilacera ver essa condição tão ali exposta, fragilizada, humilhada...
Dói saber que esse mundo que temos num simples gesto de olhar e ler, não é para todos.

Um beijo enorme e todo meu carinho pra vc! Obrigada de novo!

Francisco disse...

Minha amiga!
Como me sinto um dos homenn mais "feministas" que existem. fico à vontade para dizer o quanto seu texto me tocou.
Dói muito ver as condições em que muitas mulheres (e homens também) vivem em nosso país.
Outro post para ler, guardar e lembrar!
Um beijãozão!

Gabitus disse...

Eu concordo contigo!! Tantas coisas a serem lidas, e sempre as jogamos no lixo! E o pior: se deixarmos um jornal em um banco, é capaz de nos dizerem que não temos educação, que estamos sujando o ambiente!

Enfim... a melhor escola é a vida, mas um pouco de educação não faz mal a ninguém, né?

Beijos

ML disse...

É isso aí, Carla.
Quem joga jornal no lixo, não está jogando fora "R$2,00".
Está jogando fora informação.
É mesmo um pecado.

Mudando de assunto, que legal que vc foi caminhar no Ibirapuera - quando vou (raramente) a SP, adoro andar no parque - é muuito lindo.

bjnhs e uma ótima semana.

Dama de Cinzas disse...

Um belo post, minha amiga!

Lamentável realmente essa situação.

Beijocas

Gabitus disse...

Carla, tem selinho pra você no meu blog!!!

beijos!

Aninha Leme disse...

Carla, que blog lindo!!
adorei o post, vou voltar mais vezes para olhar os mais antigos!

besoss

lpzinho disse...

Carla querida! Trabalhei por mtos anos como educador em escolas particulares e via alí mto do que vc retratou no seu post, mas em outro nível e ambiente. E se via mtas mães vestidas com ouros, brilhantinhos, saltos 15 e cabelos loiros+chapinha... que se preocupavam demais em manter uma aparência e sequer sabiam falar corretamente. Escrever menos ainda, dava dó! E educavam seus filhos assim, permitindo tudo, rindo e debochando de educadores, direção e tudo o mais. E pra piorar, na hora de um pagamento, de uma reclamação por inadimplência, a coisa sempre ia pro marido que teria que resolver.
Sei q não é exatamente o foco do seu post, mas me calou fundo ver isso.
Em primeiro lugar, tantas mulheres entre 30 e 50 anos dependentes de seus maridos, olhando a vida como uma grande vitrine e por tabela, semeando o futuro de seus filhos à sua imagem e semelhança. E depois.. uma tristeza agora em ver que no geral, o ser humano que é uma obra tão maravilhosa, feita pra evoluir acabe agindo assim, usando menos de 10% talvez, de seu potencial evolutivo.
E pior... o mais chato é ver tantas mulheres ainda submissas, em inferioridade, idolatrando seu macho, etc... e etc.
E óbvio, triste constatar que o individualismo seja tão grande na chamada vida em sociedade. As pessoas pouco se importam com seus vizinhos, e pessoas próximas. Pode ser na familia, pode ser no trabalho, na educação... e parece que o que vale cada vez mais é viver de modo egoísta e vazio em busca de prazeres momentâneos...
Ai..ai... isso é tão triste de pensar e ver!
Adorei o post... aliás, por menos que eu apareça aqui, já virei fã!
Beijo amiga maior!

lpzinho disse...

Oii Carla!
Hj deu vontade de aparecer de novo por aqui pra te deixar uma beijoca, mocinha maiorzinha!! ^__^ Gosto do seu blog.. e do seu jeito de escrever, argumentar e pensar! Bikokas!

lpzinho disse...

E não é que eu voltei.
Vc não imagina qual foi a minha felicidade em te receber novamente no blog, sempre com palavras importantes e inspiradoras... tanto quanto estas do seu blog. Sabe, eu tive interrompido um projeto que vou retomar em breve, na área da educação dedicado ao público feminino. Acho precioso que vc tenha escrito antes e tenha feito o comentário neste post sobre o privilégio que temos há mais de dez anos de acessar uma coisa chamada internet, a cada vez maior informatização da vida das pessoas... mas é lamentável que isso acaba por tabela, "automatizando" o processo de educação, ensino e conquista de aprendizado das pessoas. Além do óbvio outro lado, onde ainda encontramos homens e mulheres na idade das trevas no que tange a emprego, pensamento lógico, ações e reações em sociedade, etc., e uma consequente omissão ou submissão feminina em detrimento do que ela chama de amor e pode ser visto como carência apenas. Acredito muito no poder da comunicação aliada à educação com qualidade e a difusão de valores como respeito, amor, felicidade e prosperidade num sentido mais amplo!
E te ler, mesmo que em alguns posts me faz pensar positivamente sobre isso mesmo em meio aum mundo cada vz mais estranho e vazio...
Escrevi demais novamente né! =(
Olha... agradeço pelo comentário... bom saber q temos filmes em comum no gostar e lembrar! Um beijo grande e até o próximo contato! =) Deus te proteja querida amiga maior!