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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

CARA DE PAU

Cara de pau dói. Dói em quem recebe um sorriso amarelo ao invés de desculpas. Dói a falta de consideração vinda de quem você tinha em alta conta. Mais e mais vezes nos vemos diante de pessoas que primeiro agem para só depois pensarem nas consequências que causaram no alheio.
Será tudo um reflexo do individualismo cada vez mais falado? Não acredito. Educação é coisa boa e eu gosto (quem não gosta?).
Nada melhor que o respeito e esse anda cada vez mais escasso. Seja na fila do mercado - outro dia estava eu pacientemente em uma e na minha frente três pessoas e um carrinho vazio. A dona do dito cujo o deixou na fila e pediu que a moça que estava na minha frente tomasse conta do "lugar". Enquanto isso, ela ia e vinha, trazendo mais e mais mercadorias que iam enchendo o carrinho. Detalhe: caixa rápido, máximo 10 volumes. Naquele carrinho já tinham 50 ou mais. Como sou bastante paciente e gosto de ver até onde as pessoas chegam, aguardei o desfecho. A mulher voltou e como agradecimento deixou a moça da minha frente ser atendida antes até dela mesma. E a dona do carrinho lotado impávida e colosso na fila. Ao começar a colocar suas coisas na esteira, acenei para a caixa e apontei para a placa onde se lia: MÁXIMO DEZ VOLUMES. Imediatamente a caixa se dirigiu para a mulher e explicou. Ela claro, se fez de desentendida, enquanto o pessoal atrás de mim já murmurava alguns impropérios. Ela disse que estava acostumada com caixas rápidos de vinte volumes, que não havia visto a placa, etc,etc., etc. Enquanto isso a moça que ela havia deixado passar na frente, ria desbragadamente, numa atitude nítida onde se lia: "o mundo é dos espertos".
A mulher virou-se para trás e me peguntou: "Posso passar minhas compras, a senhora se incomoda?"
Senti que até as filas ao lado aguardavam minha reação.
Calmamente respondi: "Sim, me incomodo, porque a regra é para todos."
Ao que ela retrucou: "Mas eu estou com pressa!!!" - já cuspindo as palavras.
- "Eu e todos nesta fila também estamos senhora..."
Ela juntou todas as mercadorias numa só braçada e as arremessou no carrinho com raiva, quase me atropelando. Fui ovacionada pelas filas - todas.
A caixa me olhou agradecida e disse que muitas vezes ela era xingada de muitas coisas por cumprir uma regra de trabalho.
Respeito. Em falta. Até no mercado.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO

Cada dia é uma oportunidade única. Clichê, mas verdadeiro. Poucas pessoas tem o privilégio de em plena terça-feira terem a sensação de estarem cumprindo uma parte de sua missão. Sim, uma parte, porque quem somos nós para saber o fim do caminho? E missão, sem arrogância, mas como tarefa, responsabilidade, comprometimento, resultado de trabalho, investimento de vida, afinal não acredito termos vindo a este mundo só a passeio... Quantas vezes em nossa vida encontramos pessoas por quem temos afinidade de pensamento? E como é bom ouvir quando encontramos pessoas assim... Sim, ouvir, porque a maioria das pessoas não ouve as outras, compara, interrompe. E ouvimos sobre Rubem Alves, equipes, paciência, espiritualidade, flores, poesias, religião, amores passados e presentes, e sentimos que estamos crescendo com o outro. Porque quando conseguimos trocar energia, idéias e sobretudo sentimentos, estamos dando passos para nosso próprio progresso. Compreender as diferenças de cada um é arte. É preciso sentir as diferenças, o que motiva uns e não outros. isso exige sabedoria. E parafraseando Caetano Veloso, "só a alguns é dado lê-la." Escutar o que as pessoas dizem é um dos primeiros passos para qualquer relacionamento ter sucesso. Tratar cada pessoa que encontramos com dignidade pode ser o segundo. Estou engatinhando mas posso dizer que eu sou uma pessoa pra lá de privilegiada. Só tenho a agradecer.
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