sexta-feira, 18 de setembro de 2009

REMINISCÊNCIAS

Ganhei um selinho da minha amiga blogueira Gabitus com a tarefa de escrever sobre algo que quando criança eu achava que era bacana, mas que, quando cresci, percebi que não era tanto assim...

Muitas situações me vem à cabeça... Uma delas é a questão da morte. Quando somos crianças ouvimos muitas histórias quando alguém morre: virou uma estrelinha, foi morar com Papai do Céu, coisas assim. Só que crescemos e temos que aprender a viver, para con-(?)viver com a morte , que faz parte da história de todos nós e é nossa única certeza.

Quando perdemos alguém muito próximo, ficamos por algum tempo alheios à realidade. Lembro que logo que perdi meu pai, sempre que ia a uma livraria e via um livro interessante, que julgava que ele fosse gostar, pegava o livro e me encaminhava para o caixa. Muitas vezes só no ato de abrir a bolsa para pegar a carteira é que me dava conta de que não poderíamos mais discutir juntos a leitura... Percebi que ele pode ter virado uma estrela sim, com certeza está pertinho do Papai do Céu, mas quando criança ninguém me explicou que a saudade aumenta à medida que os anos passam... E o amor que sinto, ah, esse não mudou nada, só aumentou.

Ninguém me contou também que quando perdemos nossos pais, nos lembramos ainda mais de muitas e muitas palavras que eles um dia nos disseram e que na época, ignoramos. Tento resgatar esse tipo de situação estando mais atenta em ouvir não só minha mãe, mas todas as pessoas mais velhas que eu.

Quando criança eu tinha uma tia de quem gostava muito. Ela era famosa na família por ser uma exímia doceira. Até hoje, doces “quase iguais” aos dela só comi em lugares de altíssimo nível! Ela não tinha filhos e tratava a mim e meus primos como pessoas super importantes. Era uma festa ir visitá-la e encontrar uma mesa posta, repleta de iguarias dos mais diversos tipos, cores e sabores. Os anos passaram, ela morava em outra cidade e as atribulações da vida nos afastaram. Fui reencontrá-la décadas depois, em outro país, na casa de outra tia minha. Qual não foi minha surpresa ao perceber que ela é uma pessoa extremamente fofoqueira e negativa? Fiquei estarrecida ao ouvir meia hora de papo!

Talvez por isso faça doces tão bons! Um pouco de açúcar à sua volta de fato, não faz mal algum...

O fato é que crescemos e a vida é como o rio: um dia ele deságua no mar, não tem como voltar atrás. Que possamos todos guardar com alegria num pedaço do coração os momentos bons que tivemos quando crianças!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

MULHERES DE ATENAS

Semana passada tive que passar algum tempo num laboratório exclusivamente voltado para o público feminino, acompanhando uma pessoa e pude observar uma coisa que muito me entristeceu. Já postei aqui que somos privilegiados em estar aqui, conhecer pessoas, ter acesso ao mundo através da Internet, etc. Enquanto eu aguardava a pessoa realizar os exames, pude notar que muitas mulheres, das mais diferentes faixas etárias, ao receberem uma ficha para preencher, onde explicariam o motivo do exame, simplesmente tinham duas atitudes: “- Um minutinho, vou levar para meu marido/filho/neto/irmão lá na sala de espera preencher...” OU: “- Ah, você pode preencher pra mim? Não sei ler não...” Acreditem se quiserem. Eram mulheres como nós querida leitora, outras nem tanto, mas nenhuma delas sabia ler. Vocês já pensaram na dependência que isso significa? No corte profundo das descobertas do mundo? E até mesmo na maneira de observá-lo? Claro, existem muitas pessoas ainda analfabetas em nosso país, o que também não quer dizer que elas não tenham aprendido nada, pois todos sabem qual a melhor faculdade: a própria vida. Mas não deixei de sentir uma longa tristeza pela condição feminina, que ainda hoje mostra sinais de defasagens profundas, embora a maioria das mulheres bata no peito e diga: “Sou livre!” Sempre digo “Antes tarde do que mais tarde”, então acredito que o prazer da descoberta da leitura pode ser incentivado a qualquer momento! Numa articulação rápida, ontem fui dar aquela caminhada no Ibirapuera – para quem não é de São Paulo, um de nossos maiores e melhores parques – e vi um detalhe no lixo que me fez lembrar daquelas mulheres: ao jogar minha embalagem de água no espaço para recicláveis, lá estava um jornal, do dia, inteiro. Todos sabem que jornal de domingo tem de tudo para todos os gostos. Fico estupefata quando encontro um jornal novinho em folha no lixo! Por que não deixá-lo em cima de um banco, de uma mesa da lanchonete para que alguém também tenha oportunidade de folheá-lo, no mínimo? Moradora de uma grande metrópole sei que o individualismo é muito arraigado pelas ruas. Mas acredito que isso possa ser mudado por mim, por você. Infelizmente, alguém jogou uma garrafa ainda com liquido no lixo e o jornal tornou-se irrecuperável. Jornais podem ser úteis a alguém ou podem se tornar o primeiro passo para que a curiosidade da leitura se instale. Revistas podem ser doadas a asilos, orfanatos, etc. O que não dá mesmo é continuarmos pensando só em nós. Mesmo que joguemos o jornal no lixo reciclável. Foi também para isso que nós, mulheres, também nos tornamos mais independentes e cultas.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

FERIADO

Feriadão. Sempre que posso faço o inverso: todos vão para a praia/campo? Eu fico em São Paulo. Cidade mais vazia, um pouco de silêncio no ar, trânsito tranqüilo, milhões de opções quando o assunto é lazer.
Caminhada pelas ruas, quase sem carros, onde aproveito para dar uma olhada mais atenta no meu próprio bairro, na Primavera que já se anuncia. Paradinha na padaria para aquele café caprichado, com pão na chapa quentinho, passear com os cachorros... Tudo sem pressa, porque feriado é assim: vantagem de ter alguns dias de ócio.
Morar numa grande metrópole nem sempre é fácil; somos assolados por vários problemas conhecidos: trânsito, chuva, poluição, excesso de pessoas em determinados lugares, etc. Mas, é nos feriados que temos tempo para aproveitar o que na maior parte só é visto pelos turistas. Além de teatros e cinemas, aproveitei para ir conhecer o Museu do Futebol! Imperdível até para quem não gosta tanto assim do esporte!
Primeiro o local: o estádio do Pacaembu é simplesmente maravilhoso, com seus jardins em volta e o próprio bairro que contribui com sua beleza. Ok, há algum tempo inventaram que o Pacaembu seria o estádio daquele time que há 99 anos não ganha a Libertadores, e na lojinha do museu existem mais “recuerdos” do tal time do que de qualquer outro...
Existe uma sala, dividida em décadas, onde fotos e vídeos, música e sons, contam a história do futebol daqueles anos, situando o momento do esporte com o do País. Somos levados a um túnel do tempo emocionante, onde encontramos desde Garrincha, Pelé, mas também Novos Baianos, Beatles, Elis, Airton Senna, Diretas Já e tantos outros fatos que nos transportam a momentos de nossa própria vida e, sobretudo ao que fazíamos na época. Impossível não se emocionar!
Exatamente debaixo das arquibancadas, subsolo mesmo, são passados vários trechos em tamanho natural, de flagrantes da torcida durante os jogos. É como se você fizesse parte de cada um deles, no exato momento que acontecem! E os sons que fazem parte desse espetáculo de projeções vão desde a batucada até o grito de GOL da massa!
Vemos pais, mães, jovens, crianças, torcedores com a camisa dos respectivos times de todo o Brasil e algumas do mundo, com os olhos marejados, perdidos talvez num tempo em que muitos cantavam “Pra frente Brasil, salve a seleção” e acreditavam nisso. Programa super recomendado! Na saída existe uma lanchonete vizinha à loja do museu, onde claro, um cafezinho é o ideal para colocar as emoções no lugar. Pergunto ao garçom se trabalham em dias de jogos. Ele ri e diz: “A senhora conhece o time da casa? Pois é: se o time deles ganha tem briga, se perde também!!! Deus me livre estar aqui nesses dias! A gente mantém a lanchonete fechada!!!” E depois ainda dizem que é preconceito.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

FIM DE CASO

Esta semana quase findando e, coincidência ou não, ouvi muitas histórias sobre casos mal resolvidos. Aqueles do tipo “você não vale nada, mas eu gosto de você”, ou “mulher de malandro”, onde o cara (ou a mulher) sofre todo tipo de dores de amor, mas o coração sempre fala mais alto. Ou aquele outro vivido há muitos anos e que por razões que a nossa vã filosofia não consegue explicar (ou entender), simplesmente terminou.

E pra não falar apenas de relação homem/mulher, podemos citar também coisas que fazemos pela vida e por um motivo ou por outro, somos impedidos de continuar. Como quem pratica algum esporte durante toda a juventude e com o passar dos anos, a decadência física já se faz notar. Eu tenho um amigo que diz que quando ele fez cinqüenta anos, percebeu que a cabeça pensava certinho no cruzamento da bola durante o jogo de futebol, mas o joelho já não acompanhava mais...

Quem já não viveu uma situação dessas? Felizes aqueles que não?

Assim acontece na paixão: a cabeça até pensa em lampejos rápidos, mas o coração não acompanha...

Como diz a música: ”Quem inventou o amor não fui eu... / O amor quando acontece na vida, estavas desprevenida e por acaso eu também...”

Ah, noites mal-dormidas, suadouros inexplicáveis na madrugada, dores de estomago, cotovelo, cabeça, dor no coração! Nada é passional nem ridículo demais quando se está apaixonado.

O tempo passa e aquele tempo cravado no coração, inesquecível, o mesmo frio na barriga ao se retomarem as lembranças.

Para alguns a falta de explicações para o término só faz aumentar ainda mais a vontade de estar junto; para outros, a raiva é proporcional a saudade.

Uma pessoa muito querida, ao ser questionada sobre um “caso mal resolvido”, deu a seguinte resposta: “Não, não é um caso mal resolvido, mas eu gostaria apenas de ter um dia a mais.” Pano rápido.

“E como o acaso é importante querida... De nossas vidas a vida, fez um brinquedo também...”

Deixo a imagem do meu último final de semana para inspirar-nos a viver o que temos pela frente!!! Ainda bem...

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