terça-feira, 30 de setembro de 2008

ALÉM DO INFINITO

Às vezes acontecem fatos em nossas vidas cujas conseqüências nos colocam em situações nunca dantes imaginadas... Podemos conhecer um grande amor num lugar inesperado, ganhar um prêmio que modifique totalmente (para o bem ou não) nossa maneira de viver, sofrer um acidente, ser assaltado, etc. Podemos estar sentindo que estamos fazendo o bem, ou o nosso melhor e sermos interpretados como fazendo justamente o oposto. O livre pensar é só pensar. Muitos ficam encarcerados dentro de dogmas, preconceitos, realidades que não podem ser mudadas seja por comodismo, covardia, cansaço e desenham o mundo de acordo com suas próprias lentes. Não admitem que outros também possam ser capazes de amar, sorrir, abraçar, estender a mão. Muitos, se sentindo incompreendidos desistem do amor. Outros, dos quais faço parte, seguem acreditando que amar é ótimo desde que os limites do amor também sejam respeitados. Sim, porque amor demais é desequilíbrio, sufoca, enfeitiça, adoece com o tempo. Nessa caminhada vamos fazendo amigos e também inimigos involuntários. Um inimigo involuntário é aquele que você mal conhece e vice-versa e ele já está disposto a puxar o seu tapete. Os motivos para isso podem ser inúmeros, mas pra mim o principal é a falta do próprio-amor. Que bom quando o tempo passa e com ele o outro aprende a te conhecer e ao libertar-se do medo de amar também SE liberta e com isso o amor nasce e floresce. Sim, porque não adianta termos apenas um amor guardado no peito, é importante que ele floresça como a primavera e caia em forma de chuva, leve, refrescante, apaziguadora sobre quem se ama. Triste quando o tempo passa e esse amor encrua, aperta o peito, causa angústia, maltrata o coração que vira pedra até tornar-se pó. Amar alguém que sabemos ser nosso “inimigo involuntário” não parece tão difícil quando entendemos as restrições do olhar e do amor dele. Difícil é vermos que muitos não estão sequer dispostos a tentar experimentar novos óculos. Difícil é vermos que o tempo é implacável e infelizmente muitos perdem a chance de fazer diferente e ao invés de criticar, simplesmente amar. Ontem perdi um desses “inimigos involuntários” que fazemos pela vida. Fiquei triste porque sei que devo ter falhado em algum momento, já que nesta vida não deu para refazermos a história, embora minha capacidade de amá-lo ainda esteja latente. Agora me resta enviar através de minhas orações todo o amor que eu gostaria que ele tivesse aceito. Descanse em paz, com amor.

domingo, 28 de setembro de 2008

TÁ ESPERANDO O QUE?

Existem momentos da vida que você espera. Espera que o outro te perceba, que amanhã chova/não chova, que o telefone toque/não toque, Um abraço, um sorriso, um aperto de mão, quem sabe um olhar, um email? O fato é: nenhuma das alternativas acima acontece. E aí acontece a parte difícil: a aceitação. Aceitar que não era o melhor para nós, que o outro não quer (ou não pode – sim, ele tem esse direito), que não é o momento, enfim, que ninguém dá o que não tem. Só que temos a escolha viciante do convencimento. Próprio, inclusive. “Ah, deve ter acontecido alguma coisa”; “Ta doente, vamos entender...”; “Não teve carinho na infância”... E vamos por aí afora, com qualquer desculpa que acalme nosso coração. E aquela camisa bonita que ele vestiu só para o encontro ou aquela lingerie escolhida a dedo (sem trocadilhos) vão parar no fundo do armário atiradas com certa raiva, culpadas pela burrice ou esperança, por “mais uma vez ter acreditado que poderia dar certo!”. Primeiro: nem tudo que queremos é pra nós. Segundo: Não adianta pedir o que queremos e sim perceber se o que o outro tem para nos oferecer não está de bom tamanho. Tem momentos que somos muito exigentes. Nada basta. Só que insatisfação não está geralmente do lado de fora. E como diz a música, “quem espera quase sempre cansa”... Imediatamente me lembro daquela do Chico que diz: “ O tempo passou na janela, só Carolina não viu...” Por mais difícil que seja, a escolha é nossa. Vam‘bora vestir “aquela” camisa ou “aquela” lingerie, escrever um email pra alguém que não vimos há muito, telefonar, ir ao cinema, passear no shopping que seja, ler um livro (a vida é vasta!) e fazer disso um acontecimento que não dependa de nada ou de ninguém, só de nós mesmos. Claro que isso não é pra vida inteira, mas não dá pra perder toda uma vida esperando... E quer saber? Nada é pra sempre mesmo! E nunca é muito tempo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

PRIMEIROS PASSOS

Ele cresceu ouvindo que não seria nada nem ninguém. Acreditou. Durante muito tempo ria de si mesmo, se dizendo louco com certa graça. Todos achavam que brincava, mas ao mesmo tempo estranhavam ver um rapaz tão inteligente perdendo tempo com bobagens. Não parava em nenhum emprego por mais de um ano. Desistira de três faculdades, pois se convencera de que um “Zé Ninguém” como ele jamais terminaria qualquer coisa. Além do mais, como ser capaz de enfrentar provas, professores, seminários, formatura? Isso estava além de suas forças. Com o tempo foi se acomodando na vida. Trabalhava aqui e acolá, descolava uns trocados que mal davam para suas necessidades básicas, se vestia com as mesmas roupas há anos o que lhe dava uma aparência desleixada. Mas para que se preocupar com aparência? Acreditava que era um “nada” e assim nada lhe importava. Os anos passavam e ele agora já não achava tanta graça assim. Fazia um esforço tremendo para ter amigos, ser querido. Conhecia tanta gente que fazia o mesmo, por que não? Um dia acordou estranho. E cortou o cordão umbilical que o prendia num mundo que não queria mais pra si. Saiu pra rua, viu a chuva cair de mansinho sobre seu corpo e sentiu o frio arrepiar sua pele. Estava vivo. Agora sabia disso. Hora de caminhar, um passo de cada vez. Como? Vivendo. Esse era o segredo que até então não quisera desvendar.

AUSENTE PRESENÇA

Vontade de conhecer lugares novos, gente nova. Cheiro de café no ar. Tempo chuvoso bom pra fazer as malas e cair no mundo. O gato dorme encostado no cachorro como se não houvesse amanhã. Amanhã? Mas nem sei o que fazer do hoje. Procuro um quem, um como, de não sei quando. Preguiça. Risadas ao longe. Mistérios de mim mesma. Posso ser vento, tempestade, calmaria, brisa. Aperte a tecla certa e descubra por si mesmo. Descobrir, mas o quê? Não sei, apenas a vontade que me percorre os labirintos das vísceras. O proibido nos deixa com vontade de ser livre. As palavras saem de meus olhos. Só um surdo não vê. Deixe-me ser. Então ela foi dormir com a esperança de encontrar nos sonhos a vida.

SACO CHEIO

Tenho ouvido tanta gente dizendo que está cansada, que tudo anda irritando ultimamente, que está sem saco pra um monte de coisas... Às vezes me pergunto se isso não é algo contagioso, pois o resultado parece uma epidemia. Em alguns momentos dá até medo de perguntar “Tudo bom?” para algumas pessoas. Elas começam a desfiar um rosário de reclamações, alguns impropérios, emendam com críticas ao Governo, às eleições, ao tempo e por aí vai. Penso que o que está faltando mesmo é amor em suas mais diversas formas. Amor de um ombro amigo, uma orelha simpática que só nos ouça sem emendar a famosa frase “ah, comigo aconteceu assim...”, amor de silêncio, amor de sacudir as estruturas para que possamos cair em nós mesmos, amor para que possamos NOS ouvir. Sim, porque tem um monte de gente surda por aí. E quando eu digo surda, eu digo de si mesma. Na linha da projeção, onde criticamos no outro o que temos de pior em nós mesmos, observo que muitos não sabem fazer outra coisa senão reclamar. A insatisfação não está fora. Mas olhar pra dentro é uma aventura e tanto. Ultimamente apenas alguns ousam. Sair da mesmice é difícil. “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” (Clarice Lispector)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A INVEJA

Li uma história que relatava a viagem de um monge pelo deserto. Lá pelas tantas avistou uma cabana e resolveu pedir abrigo. O homem que lá morava ofereceu ao monge sua humilde rede com a única pele de animal existente para que pudesse se proteger do frio durante a noite. Ao amanhecer, tendo que prosseguir viagem, o monge apontou o dedo para uma pedra que imediatamente se transformou numa pepita de ouro. Esse era o agradecimento dado ao rapaz por tanta hospitalidade. Entretanto o rapaz nada disse e continuou a olhar tristemente para o monge. Este por sua vez, apontou novamente o dedo para um monte de areia que se transformou numa montanha de ouro. O rapaz continuou a fitá-lo. “Não entendo – disse o monge – quero agradecê-lo, mas parece que nada que lhe ofertei o agradou. O que mais você quer?” O rapaz olhou para ele firmemente e disse: “Quero seu dedo!” A inveja é um sentimento que impede o avanço para a evolução pessoal. Não existe “inveja boa” como costumamos ouvir. Você pode ter ADMIRAÇÃO por alguém ou alguma coisa, nunca a inveja. Antes de invejarmos este ou aquele, perguntemos a nós mesmos se temos a mesma disposição que ele para levar adiante qualquer tarefa. Conversemos em silêncio com nossa consciência e avaliemos se nos dispomos a crescer, a trabalhar, a lutar por um ideal, a estudar com afinco. Refletir faz parte de nosso crescimento interior. A sementeira é livre. A colheita é obrigatória.

domingo, 14 de setembro de 2008

DEPOIS DO FIM

Ela acreditou que depois dele nada valeria à pena.
E nem ninguém.
Durante meses a fio, chorou, bebeu, chorou mais, lastimou, blasfemou, jurou em vão, amaldiçoou, fez tudo o que aqueles que perdem um amor geralmente fazem. Sexo? Nem pensar. Só ele sabia todos os segredos de seu corpo e as vontades de sua alma. Procurar outro? Inimaginável. Ninguém poderia ocupar o lugar guardado há anos só pra ele. Casamento? Nunca mais. Todos os seus sonhos, segredos, planos, desejos, só podiam ser compartilhados com ele, afinal ele era o homem de sua vida, até a morte. A pergunta ainda ecoava todos os dias em seus pensamentos e o que é pior: em seu coração: por que ele a havia deixado? Ninguém sabia, nem ela. Ele dizia que só queria estar sozinho novamente. Só, em todos os sentidos. Os meses passaram e ela comprovou que ele continuava sozinho. Será que tinha descoberto que era gay? Sim, porque o amor dela era incondicional, então como ser abandonada assim, sem mais nem menos? As horas foram passando após o fim, os dias, os meses, o ano. Um belo dia ele a procurou dizendo que já que estava por perto, gostaria de devolver algumas fotos que haviam ficado com ele e que poderiam ser importantes para ela. Combinado o horário, ela aguardou sem expectativa, mas não percebeu. Ele chegou, cumprimentaram-se, sentaram, ele mostrou as fotos, ela olhou sem interesse, agradeceu, devolveu a ele a única que havia restado de seus ataques de fúria – as outras todas tinham sido rasgadas ou incineradas – essa havia ficado entre as páginas de um livro, esquecida. Ouviu as mesmas histórias, a mesma risada que tanto havia amado, e foi aí que caiu em si. Não sentia mais nada. Olhou para ele atentamente enquanto ouvia e viu um homem diferente daquele que havia sido seu grande amor. Como se ele nunca tivesse feito parte do mundo dela. Olheiras, um corpo um tanto esquálido, um papo chato – daqueles que alguns homens apostam que irão impressionar alguém – e percebeu o quanto havia sido cega. Levantou-se de repente, disse que tinha um compromisso, precisava ir, agradeceu as fotos, ele perguntou quando a veria novamente e ela rápida: “Qualquer dia quem sabe nos encontramos por aí” – querendo se livrar logo daquele incômodo. Ele meio sem graça agradeceu a única foto, disse um “Te ligo” e ressabiado caminhou pela calçada, olhando para trás duas vezes. Ela já havia sumido. Minutos após estava em sua casa, em frente ao espelho dizendo pra si mesma: “Estou viva e tenho a vida inteira pela frente!” E essa descoberta teve o mesmo efeito de uma bomba em seu passado. Atômica.

AMBIVALÊNCIAS

Hoje li um artigo sobre as cartas deixadas pelo escritor João Guimarães Rosa (Grande Sertão Veredas) para sua esposa Aracy. Perto de completar cem anos, ela sofre do Mal de Alzheimer, mas o grande amor que vivenciou com João, ficará para sempre estampado em longas cartas de amor. Ara, como era chamada pelo marido, foi o segundo casamento dele. Jeito de atriz internacional, beleza de vedete, inteligência feminina avassaladora para a época, tinha segundo ele “uma boquinha para ser beijada”, dentre outros elogios. Segundo amigos e conhecidos do casal, os dois compartilhavam tudo, inclusive a leitura dos rascunhos dos livros de Guimarães, bastando citar que “Grande Sertão Veredas”, sua obra máxima foi dado e não apenas ofertado, segundo o próprio autor para Aracy. Um amor que ficará para a Eternidade, do tamanho do legado deixado pelo escritos. Por outro lado, li também um caso onde um leitor queixava-se de que sua esposa quer fazer amor a toda hora. O psicanalista responsável em responder essa missiva disse que isso é perfeitamente normal, pois nada impede que uma mulher tenha mais desejo sexual que este ou aquele homem – e vice-versa. Que a convivência acaba por trazer cumplicidade, confiança, conversa, troca de olhares, pensamentos e inúmeras coisas boas, mas que com o tempo qualquer mulher passa a ser vista por qualquer homem como uma simples “paisagem”. Será?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

NÃO SEI - CORA CORALINA

Não sei...
Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
- Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira, pura... Enquanto durar.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

FIM

Eles se conheceram por acaso, na saída de um café. Ele vinha entrando, ela saindo, segurando a bolsa e o casaco numa das mãos e atendendo/equilibrando o celular - como só bem sabem fazer as mulheres – com a outra mão enquanto abria a porta. O celular escorregou, ela se atrapalhou com a porta, ele rápido e solícito se baixou para pegar. Os dois deram uma cabeçada e como acontece nesses momentos insólitos, o olhar de ambos se cruzou. Não foi amor a primeira vista, mas algo estremeceu dentro de ambos. Riram da situação mais para disfarçar o coração aos pulos do que do fato em si. Ele a ajudou a apanhar as coisas que haviam se esparramado pelo chão depois da cabeçada e resolveram entrar para não atrapalhar anda mais quem estava tentando entrar/sair. Sentaram rindo ainda e ele sagaz pediu dois cafés. Ela riu e aceitou sem dizer palavra. Os cafés chegaram, eles comentando como as coisas acontecem, qual seu nome, o que você faz, mais uma água e outro café e se passaram duas horas. Ele esqueceu o compromisso, ela a aula de yoga. Trocaram telefones, ele a acompanhou até a saída, não quis parecer indelicado se intrometendo muito logo na primeira vez. Ela caminhou sorrindo para si mesma até o carro estacionado ali perto. Ele foi a pé com a sensação de caminhar na areia num domingo de Sol. Seis meses depois estavam morando juntos. Planos, trabalho, carreira, viagens, amigos, tudo ficou em suspensão em algum lugar do Universo. Agora só existiam ele e ela. Mais seis meses se passaram, sorrisos, transas memoráveis, praia, Sol, aluguel pra pagar, fondue, vinho, queijo, pão. Um dia, sem mais nem menos ele diz que vai embora. Não, ela não fez nada, ele gosta dela, mas acha que não dá mais, os dois tem objetivos diferentes, não, não dá pra recomeçar, ele não quer, quer viver mais – com ela não era possível fazer isso. Ela chora, implora, chora, pede, fica com raiva, joga as coisas dele porta afora, ele sorri triste, junta as tralhas jogadas, diz que vem buscar o resto qualquer dia e sem se virar, sai pela porta. Ela fica imaginando que ele tem outra, que ela é feia, que ele não presta. Liga pra melhor amiga, desabafa, ouve o clássico “os homens são todos iguais”, resolve desligar. Abre a geladeira, toma um porre de licor de menta e cai debaixo da água fria do chuveiro para se convencer que não está tendo um pesadelo. Os dias passam, insônia, falta de apetite, enjôo, nenhum telefonema, nenhum recado no trabalho. Fuça o Orkut dele e descobre que ele o deletou. Sem pistas, os amigos em comum se esquivando, ninguém quer se meter. Como tudo foi acabar tão de repente? Esquece que só a morte faz com alguns acreditem que as coisas acabem assim, de repente. Mas até mesmo ela manda seus recados subliminares. “O fim do amor, oh, não! Alguma dor talvez sim, porque a luz nasce da escuridão.” Promete a si mesma que a partir dali não mais se esconderá de si mesma. Só assim para aprender a enxergar o começo do fim e conseguir talvez, evitá-lo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ

Tenho uma amiga de adolescência passando por um momento delicado após ter feito uma cirurgia de grande porte. Nesse momento passa por todos os efeitos colaterais obrigatórios. Mas ela tem encontrado tempo para escrever, para re-luzir para a vida (sim, porque me lembro que desde a adolescência ela já era brilhante), para se re-encontrar (a si mesma e aos outros também). Cada dia é uma nova chance de superação. Acredito que seja também um passo a mais na vitória da vida. Sim, porque não basta o hospital, os médicos, o atendimento ser perfeito; o mais importante é o paciente querer VIVER! E isso é uma conquista diária até mesmo para quem não fez cirurgia nenhuma. Pra que a pressa? Um dia de cada vez... Ouço muitas pessoas dizendo “Ah, o dia tinha que ter mais que vinte e quatro horas para que eu desse conta de tudo!” Caramba, porque as pessoas cismam que tem que dar conta de tudo? Basta prestar atenção em como distribuímos o tempo, em como estamos olhando-vendo a vida! Depois do um, pode vir o dois, três, quatro...ou não! Às vezes temos que dar uma paradinha num deles e passar uma temporada. Nem sempre tudo que queremos é o melhor para nós. Saibamos respeitar o tempo. Ele é precioso. E necessário. Tratemos nós de vivermos cada segundo com toda a intensidade possível, como já dizia a música “como se não houvesse amanhã”. Faça das palavras ações! E olha que pensamento também é ação! Admiremos as ondas do mar: elas vem e vão num continuum. Assim também não é nossa vida? “Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe...” Querida amiga, CORAGEM. O dia pode estar cinzento hoje mas sei que aí dentro o SOL brilha até quando os outros pensam que anoiteceu!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO

Cada dia é uma oportunidade única. Clichê, mas verdadeiro. Poucas pessoas tem o privilégio de em plena terça-feira terem a sensação de estarem cumprindo uma parte de sua missão. Sim, uma parte, porque quem somos nós para saber o fim do caminho? E missão, sem arrogância, mas como tarefa, responsabilidade, comprometimento, resultado de trabalho, investimento de vida, afinal não acredito termos vindo a este mundo só a passeio... Quantas vezes em nossa vida encontramos pessoas por quem temos afinidade de pensamento? E como é bom ouvir quando encontramos pessoas assim... Sim, ouvir, porque a maioria das pessoas não ouve as outras, compara, interrompe. E ouvimos sobre Rubem Alves, equipes, paciência, espiritualidade, flores, poesias, religião, amores passados e presentes, e sentimos que estamos crescendo com o outro. Porque quando conseguimos trocar energia, idéias e sobretudo sentimentos, estamos dando passos para nosso próprio progresso. Compreender as diferenças de cada um é arte. É preciso sentir as diferenças, o que motiva uns e não outros. isso exige sabedoria. E parafraseando Caetano Veloso, "só a alguns é dado lê-la." Escutar o que as pessoas dizem é um dos primeiros passos para qualquer relacionamento ter sucesso. Tratar cada pessoa que encontramos com dignidade pode ser o segundo. Estou engatinhando mas posso dizer que eu sou uma pessoa pra lá de privilegiada. Só tenho a agradecer.

ANJOS PARA ADOÇÃO

Vou reproduzir um texto de uma pessoa que admiro muito e que merece ter toda a divulgação possível! Sempre aqui no Blog você pode acessar diretamente a página dos "ANJOS PARA ADOÇÃO" e ajudar não só minha querida Maria Augusta como também a todos os anjos! Conto com vocês!
Campainha = sobressalto. Telefone = sobressalto. Assim começa o dia de um protetor de animais. Ele tem que madrugar para cuidar de todos os animais que estão sob sua proteção e que não conseguiram ser doados: são os velhos, doentes, especiais, ou seja os que foram rejeitados pela sociedade. Depois de passar horas limpando, alimentando e medicando, o protetor finalmente liga o computador para ler as mensagens, com a esperança que perguntem sobre a turma que ele tem para doar. Felizmente, sempre tem alguém interessado nos cães ou gatos e também muitas, muitas pessoas pedindo ajuda: “Você pode recolher o cão que foi atropelado na minha rua? Você pode abrigar os animais que estão em um terreno baldio? Por favor, me ajude com um caso grave de maus-tratos.” Nesta hora tem início a sensação de medo e impotência que acompanha o protetor durante todo o seu dia. Os apelos são muitos e ele sabe de suas limitações. Mas, apesar dos problemas, ele precisa ir para o canil cuidar da turma (cada vez maior) de cães que tem para doar. São animais resgatados em péssimas condições ou que estavam correndo perigo de morte, muitos deles adultos e doentes. Sair de casa se tornou uma agonia, pois o protetor vê, cada vez com mais freqüência, muitos animais abandonados pelo caminho e não tem como ajudá-los. Se ele não estabelecer um limite, não haverá como cuidar dos que já estão sob sua responsabilidade. À tarde, ele volta para o computador para responder aos pedidos de adoção e receber notícias dos animais que já foram encaminhados. É sempre muito difícil ler o tempo todo sobre abandono e crueldades contra os animais e ter que confiar em quem vai adotar seu protegido. Isto é um exercício de superação, mas enfim, ele precisa confiar nas pessoas. A doação é o objetivo de seu trabalho, é o que o motiva a continuar nesta luta. Mas, muitas vezes a doação não dá certo e as causas podem ser as mais absurdas, ou o cão não late nunca ou ele late demais. O motivo é sempre a falta de perseverança das pessoas que, diante da menor dificuldade, desistem de tentar. Esta é uma das maiores tristezas para o protetor, colocar o animal que já estava se habituando a uma casa, a uma família, de volta em um abrigo. A maioria dos animais adoece ou entra em depressão. No final da tarde, outra sessão de limpeza, alimentação e medicação. À noite, exausto, o protetor consegue dormir em paz, aquele sono pesado e gratificante de quem batalhou o dia todo. Ele só perde o sono quando as dívidas nas clínicas veterinárias e nas casas de ração excedem o seu limite mensal. Aí começa outra batalha, a de levantar dinheiro para saldar seus compromissos. O certo é que o tempo todo o protetor de animais oscila com altos e baixos, com notícias boas e ruins e com vitórias e derrotas. Diante disto tudo, o que o faz continuar? Apenas uma coisa: o olhar de gratidão de um animal desesperado e sem saída. Alguns protetores piram, outros desistem, eu escrevo...
Maria Augusta Toledo
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