domingo, 26 de outubro de 2008

PORTA ABERTA

Calor. Noite abafada. O barulho de vozes comemorando não sei o que invadem as orelhas de vez em quando. O corpo está suado. Cansado. Molhado. O mundo é tão grande e ele ali, preso como um passarinho que não sabe mais voar. Tem a chave da porta, a gasolina no carro, o dinheiro contado, mas necessário. A noite mal começou. Sente seu corpo totalmente desperto, com vontades. Não ganas. Com desejos e lembranças, com pensamentos libidinosos que como flashes ofuscam seu bom senso. Vontade de partir, de sumir. Mentira. Vontade de amar, de fazer sexo gostoso, com o mesmo calor da noite abafada. Na borda da banheira, segurando forte. Sexo pra ele nunca foi brincadeira. Podia se aproximar por um olhar, por um modo de segurar o copo, pelo sorriso, e claro, também pelo corpo. Mas se o papo fosse bom, o resto prometia. Literalmente. O suor escorria pelas costas. Nenhuma brisa, só a noite cada vez mais modorrenta. Não queria uma aventura. Só se fosse com uma pessoa muito, muito interessante. Que não falasse sempre das mesmas coisas que os jornais, revistas e TV estampam por aí, que suspirasse com coisas simples, gostasse de água, de Sol, de terra, de bichos, de mar. Não queria companhia, queria proximidade. Não efusividade, cumplicidade. Nada pra sempre, mas o necessário para que se sentisse apenas vivo. Não queria saber a história toda, só aquela que começasse no exato instante que os olhos se encontrassem. Nem sempre histórias levam tempo para serem construídas. Quantas vezes não viveu ou envelheceu dez anos em um segundo? Não queria mais alguém na multidão. Muito ao contrário. Queria a simplicidade de ser livre.Por dentro.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

FLOR DE LIS

Recebi o texto abaixo por email. Ele simplesmente traduz uma história de amor que poucos conhecem. Como toda história de amor que se preze, esta também é marcante. Como outras grandes histórias, seu final é triste. Mas isso talvez seja mais um ingrediente para amarmos. E cada vez mais. O quanto antes. Reproduzo abaixo na íntegra.
Muitas vezes ouvimos dentro de uma melodia, uma frase poética bem estruturada, mas, não entendemos o seu significado. Soa bem aos nossos ouvidos! É um prazer ouvi-la. Nesta música do Djavan, casam bem letra e música, o auditório, esboça o desejo de dançar, se movimenta e marca o ritmo com as palmas. Então pensamos: é uma poesia que brotou da mente iluminada do poeta. Mas sem o motivo da inspiração, fica difícil entendê-la. Este o fato que o inspirou: Djavan foi casado com Maria. Ela grávida, souberam que teriam uma filha e o nome escolhido por eles para a menina, foi 'Margarida'. Porém, sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teve que optar por ela ou por sua filha. Perdeu as duas por obra do destino. Assim, é possível entender a letra da música, sobre o ponto de vista de Djavan, que para o mundo, transformou sua dor em arte.
Valei-me, Deus!
É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor
Eu sei que o erro aconteceu
Mas não sei o que fez
Tudo mudar de vez
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei,
Que amei, que amei, que amei
Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis
E foi assim que eu vi
Nosso amor na poeira,
Poeira
Morto na beleza fria de Maria
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem Margarida nasceu.
E o meu jardim da vida
Ressecou, morreu
Do pé que brotou Maria
Nem Margarida nasceu.
Aproveite cada momento da sua vida ao máximo, passe o maior tempo possível com as pessoas que você ama , torne estes momentos inesquecíveis. Aproveite a sua vida! Problemas todos têm. E é bom saber que um dia, os de hoje, vão se resolver, e, outros surgirão. Não podemos ficar esperando a ausência deles para sermos felizes!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

CONVÉM-SER-SÃO?

Observo como muitas pessoas se prendem a convenções. Tenho participação em algumas, não tenho dúvida. Mas vou me ater nas que afetam diretamente o lado afetivo. Muitas mulheres choram, fazem promessas, mandingas, clamam ao céu para ter alguém. Observem: utilizei o verbo “TER” e não “compartilhar com”. Ouço muitas dizerem que preferem ficar com este ou aquele que sozinhas. Lixo. Sozinhas elas já estão, extremamente solitárias e pobres de si mesmas, de espírito, do real significado do verbo compartilhar. Querem ser livres, queimam os sutiãs, se proclamam independentes, boas de cama (entenda-se aqui: fazer tudo que agrada ao OUTRO), intolerantes a qualquer ameaça de dominação. Julgam-se “resolvidas” e dizem que “vão muito bem, obrigada”. Na calada da noite, ligam pra melhor amiga e choram desbragadamente porque chove lá fora e ali faz tanto frio. Ou resolvem liberar geral na balada. Voltam pra casa com olheiras, cansadas, cheiro de cigarro na roupa, nos cabelos, na alma. E mais sozinhas. Mas no dia seguinte é hora de vestir novamente o super uniforme do “Estou ótima!” e tentar jogar seu charme, seu peito e outras cositas más na cara de algum desavisado de plantão. Os moços leitores de plantão sabem do que estou falando. E as moças também. Sim, porque por mais que os homens estejam mais espertos (GRAÇAS A DEUS!), sempre tem um inocente por aí... Não, este não é um manifesto “VIVA OS HOMENS, ABAIXO AS MULHERES”, mas um texto de uma mera observadora de situações assim. O valor atribuído ao estar feliz muitas vezes é atrelado às convenções: tem que ter filho, tem que casar, tem que ser chefe de família, tem que trabalhar, tem que ter silicone, tem que ter dinheiro, tem que ter carro do ano, etc, etc, etc... e etc. Para compartilhar alguma coisa com alguém – pode ser até um “Sonho de Valsa” – ufa, forcei – o sentimento tem que vir daqui do meio do peito e a vontade do fundo da alma. É algo impensável, simplesmente feito. Não penso, divido, compartilho, para acrescentar, somar, quem sabe (nos) multiplicarmos??? É beijo na boca, é frio na barriga, é noite de chuva, pipoca, champagne, cerveja, água, pizza, fondue, é suor nas mãos, vontade de abraçar, alisar, e qualquer coisa boa que vocês possam imaginar que também possa terminar em “ar”... Com leveza, sem cobrança, sem forçAR, porque o sentir é simplesmente deixar rolAR. O contrário disso é fachada, enturmação, solidão, cegueira, surdez. Gostaria de fazer tudo o que tenho vontade diante de minha capacidade de amar, compartilhar. Nem sempre isso é possível, talvez aí o gosto amargo no fundo do texto. Às vezes é muito chato fazer o que convém e não o que se deseja. O importante é não se abandonar. Porque se isso acontecer, você pode passar a vida tentando e não conseguir nem ficar com você mesmo. E eu não quero ter prazer só com alguém, quero sentir isso sobretudo comigo mesma. Depois disso é puro PRAZER.

sábado, 18 de outubro de 2008

SONHO?

Acordou sobressaltado. Após o almoço havia deitado no sofá da sala para um pequeno cochilo. Sonhara que estava caminhando em um parque, quando foi abordado por uma moça alta, morena, com uns óculos escuros e engraçados. Sem pestanejar a moça veio caminhando em sua direção e ao chegar a sua frente colocou-lhe a mão no ombro dizendo:"-Tem fogo?" - Waldomiro estranhou aquela atitude da moça desconhecida. Teve a certeza de que por baixo daqueles óculos tão escuros, olhos ainda mais escuros o fitavam indagadores. Apalpou os bolsos da calça, abriu a maleta que carregava (sim, sempre que saía carregava sua velha maleta) – procurou dentro dela e só então se lembrou que não fumava. Olhou para a moça parada a sua frente e com um calafrio a percorrer-lhe a espinha balbuciou: "- Não, não fumo..." - A moça até então imóvel, tirou os óculos escuros lentamente e provou que ele não se enganara: fixou profundos olhos negros nele e disse: "- Então me paga uma água..." - Sem saber como reagir, Waldomiro atônito não só com os olhos, a atitude, mas também com a beleza que emanava daquela desconhecida, concordou rapidamente. Foram andando pela calçada e entraram no primeiro boteco (sim, boteco, porque estavam no centro da cidade e lá botecos existem por toda a parte). Resolvida, a desconhecida foi logo pedindo a água e uma caixa de fósforos. Ele também pediu água e após o primeiro gole, pode observar melhor a criatura que se sentava a seu lado, vestida num terninho chique, desses que as moças que trabalham em grandes escritórios usam. As atitudes não combinavam com o que via, mas sem parecer se importar com esses detalhes, a moça acendeu o cigarro e deu uma longa tragada, como se há muito tempo não fizesse isso. Tomou mais um gole da água e virando-se lentamente pra ele, cruzou as pernas e perguntou:"- E aí? Tudo bem?" - Ora, ele esperava qualquer pergunta menos aquela. Olhou bem pra ela, sem esconder certa malícia no olhar e disse: " - Pode ficar ainda melhor, beleza..." - Ela empertigou-se na cadeira e visivelmente contrariada respondeu secamente: "- Se você está me confundindo com certo tipo de mulher, vou logo adiantando: precisava de alguém pra conversar e escolhi você. Não sou o que você está pensando! " - Ele completamente sem graça tentou argumentar: "- Não, veja... Você me entendeu mal..." - " - Entendi mal, não! Conheço perfeitamente tipos como você! Não podem ver uma mulher sozinha que já partem pra cima! O que você está pensando? Senti-me só, achei que você tinha cara de boa gente, estou passando um momento difícil e gostaria de conversar, desabafar com alguém! Escolhi você vi um olhar tranqüilo, mas vejo que me enganei! Não dá pra confiar mesmo nos homens! "– E inesperadamente caiu no choro, agarrando-se ao pescoço de um Waldomiro que cada vez mais entendia menos. "- Calma..."– Começou ele, sem saber onde colocava as mãos. Tinha medo de corresponder ao abraço e ser tachado de aproveitador; de não abraçá-la e ela sentir-se ainda mais sozinha... Na dúvida, passou os braços em torno da cintura da moça e a aconchegou em seu ombro, dizendo-lhe palavras consoladoras. – "Calma... Seja o que for que tenha acontecido, vai passar... Vamos conversar me deixa saber um pouco mais de você. Nem sei ainda seu nome!" - Sem soltar do pescoço de Waldomiro a moça olhou-o fixamente, com as lágrimas a escorrer pelo rosto e disse entre soluços:"- Maitê, meu nome é Maitê... E o seu?" - "- Waldomiro." - Ele levou a mão vagarosamente até os cabelos da desconhecida Maitê e os afagou com delicadeza. Sentiu que ela suspirou profundamente com o gesto dele e virou-se para o balcão para apagar o cigarro num cinzeiro cheio de bitucas que jazia por ali. Deu mais um gole na água e virou-se pra ele com um brilho agradecido no olhar. "-Desculpe se o julguei mal... Ouvimos tantas coisas horríveis por aí... Ainda mais quando se é mulher..."– E fez um biquinho com a boca ao pronunciar as últimas palavras que imediatamente conquistou Waldomiro. Ela tinha uma inocência, um mistério, algo que ele não sabia definir, mas que definitivamente fazia seu tipo. Tirou o lenço do bolso (sim, ainda era um dos poucos homens que usavam lenço), e deu-o a ela. Maitê, mais calma, enxugou as lágrimas e esboçou um pequeno sorriso de agradecimento. Pensou: “Só cavalheiros de verdade oferecem o lenço a uma dama.” Ele ofereceu um café, que ela prontamente aceitou, agradecendo. Os cafés chegaram quentes e de bule, como convém a um bom boteco e ele aproveitou a deixa após o primeiro gole: "- Se tiver vontade, conte Maitê, o que te deixou tão triste." - A moça olhou pra ele com aqueles olhos com os quais ele já estava se acostumando e respondeu: "- Há muito tempo procuro alguém para compartilhar minha vida. Em vão, porque à medida que o tempo passa, percebo que esse sonho continua distante. Conheci muitas pessoas, mas nenhuma fez com que eu tivesse vontade de me entregar, conversar por toda a vida. Hoje resolvi sair sem rumo, distante dos lugares que freqüento, dos amigos que tenho. Resolvi conhecer alguém e então surgiu você. Sei que minha abordagem pode ter parecido radical, mas eu também não queria ter deixado passar essa oportunidade! Senti que você era especial!" - Waldomiro a essa altura já estava nas nuvens! Uma moça daquele tipo, fina, bonita, alta e dando bola pra ele? Como era possível? Se alguém estava prestes a realizar algum sonho, só podia ser ele! Sendo vendedor de planos de saúde há muito tempo, sabia valorizar a vida. Não deixaria essa mulher escapar por nada! "- Maitê querida, – sentia-se mais intímo a cada minuto – por que não vamos almoçar? Aqui perto tem um pequeno restaurante de um conhecido meu e lá poderemos conversar com mais tranqüilidade. O que acha?" - A moça esboçou uma dúvida no olhar, mas logo abriu um sorriso e aceitou a delicadeza. Waldomiro pagou a conta e saíram de braço dado, caminhando em direção ao restaurante. Após meia-hora de conversa, já se consideravam amigos de infância, daqueles que podemos contar tudo, com a certeza de sermos eternamente compreendidos. O almoço transcorreu animado, cada um contando histórias vividas, alegres ou não, histórias da vida. Maitê disse que era uma das administradoras numa grande empresa e que isso lhe dava facilidades como não precisar voltar para o trabalho naquele dia. Foi a deixa que Waldomiro esperava. Para irem ao apartamento dele foi um pulo. Ao chegarem o rapaz foi logo se desculpando pela bagunça, casa de homem solteiro é assim mesmo, não repare e ao mesmo tempo lembrando-se da última vez que uma mulher adentrara ali. Tinha sido a faxineira do 103 para limpar ou a vizinha do 95 com o zelador para fechar o registro que estava vazando? Não importava. Importante agora era aquela mulher maravilhosa ali, ao seu lado. Sentaram juntinhos no sofá, já de mãos dadas, pois as horas de conversa no restaurante já lhes permitia tal intimidade. Maitê agradecia o almoço, a tarde maravilhosa, o papo agradável. Waldomiro pensava nos planos que tinha que vender ainda hoje para cumprir sua meta com o chefe, mas apenas por um breve momento. Logo a seguir, seu pensamento, seu corpo todo se concentrava na mulher a seu lado. Ela encostou a cabeça em seu ombro e devagarzinho passava uma das mãos nos cabelos do rapaz. Ele estava no céu! Quem disse que sonhos não se realizam? Lentamente foram aproximando os lábios até culminarem num beijo que ele jamais esqueceria o gosto. Ao longe, Waldomiro escutou um som que não soube distinguir num primeiro momento. Nada importava. Só Maitê e ele. O sonho que se realizava. O som insistiu. Sobressaltado Waldomiro acordou. Era a campainha. Ainda com o gosto do beijo e o perfume de Maitê na lembrança, sentou e voltou à realidade. Seu apartamento simples, o sofá rasgado num dos braços, a meta que tinha que cumprir com o chefe. – Logo vi que era bom demais! – pensou. A campainha insistiu pela terceira vez. Irritado Waldomiro se levantou num só pulo e abriu a porta: "- Quem é caramba?" - Do outro lado, uma moça alta, morena, com uns olhos negros lindíssimos se assustou com a aspereza de Waldomiro que até deu um passo pra trás, antes de dizer: "- Oi... Será que você pode me emprestar um fósforo? Acabei de me mudar aí do lado e não tenho nada para acender o fogão..." - Atônito beliscava sua perna discretamente para ter a certeza de que havia acordado. Não, não era sonho. - "- Cla..ro..." – respondeu gaguejando, tentando arrumar os cabelos desgrenhados pelo cochilo. – "Entre, vou pegar os fósforos pra você... Não repare, casa de homem solteiro é mesmo uma bagunça!" Ela entrou cheia de charme, caminhando devagar, enquanto dizia: "- Não tem problema não, eu entendo. Ah, se não for pedir demais, você pode me arranjar água? Ainda não ligaram a minha e nem sei como vou tomar banho hoje..." - disse enquanto abria um lindo sorriso. E ainda tem gente que não acredita em sonhos.

MESA DE BAR

Gostava de bons restaurantes. Não no sentido de chique, de luxo, de requinte. Podia ser um boteco perdido no mapa, mas que a comida fosse boa, a bebida idem e a companhia, bem, essa de preferência que variasse. Gostava de sentar numa mesa onde tivesse visão panorâmica do lugar. Não pra ser visto ou encontrado, mas para simplesmente observar. Mesmo acompanhado gostava de olhar a sua volta. Fragmentos de conversas então o fascinavam. “- Olha aquele cara ali... Acho que está dando bola pra você! Não vira agora, ele tá olhando pra cá...” “- Eu disse pra ele: Você tá errado cara! Vai se f...! Você ta pensando o que? Que aqui é a porra da sua casa onde até o cachorro manda mais que você?” “- Humm, que delícia...! Vou engordar uns dez quilos depois desse prato, mas o que importa é ser feliz!” Sempre conhecia um ou outro garçom do lugar. Achava simpático ser reconhecido. Nunca quis bem saber o porquê, afinal caixinha ele não dava. Talvez fosse porque bebia muito, talvez porque entendia o drama dos garçons, horas em pé, servindo sem reclamar, afinal “cliente sem pré tem razão” – mesmo os chatos e bêbados. A menina na mesa ao lado, acompanhada de dois amigos já estava pra lá de Bagdá. Abria alguns botões da blusa, tal como a música e passava a mão no colo, provocante. Os caras ali, babando, já pensando em sacanagem, mas ela entre bêbada e esperta, ia sacaneando ainda mais os trouxas. Coisa que mulher sabe fazer bem. Mais ao fundo um grupo comemorava alguma coisa; podia ser aniversários, promoção ou simplesmente nada. O fato é que tudo era motivo para brinde: “Viva o chefe!” – “Viva o garçom!” – “Viva as empadinhas!” – berravam. As empadinhas eram mesmo uma delícia. Enquanto bebia o chopp bem tirado vagarosamente, olhava de rabo de olho, duas meninas caçando. É caçando, tinha certeza. Olhavam tudo e todos, com aquela ar blasé, de quem está muito mais interessado do que aparenta. Ele não ia levantar dali e ir até elas. Não estava com vontade de sorrir, contar uma bobagem qualquer para impressionar, ser simpático. Se quisessem vir até ele, muito bem. Afinal as mulheres não mudaram? Ele preferia ficar ali, observando. Do lado de fora, pelo vidro, um garoto de rua fazia caras e bocas para o casal sentado do lado de dentro. O casal se fingia de mortos. Não era com eles. O moleque lá com cara de cachorro sem dono, a fome esmiuçada nos olhos, beliscando os filés aperitivos do prato com a testa. Chamou o garçom: “Faz um favor: leva essa empadinha pra aquele menino ali e um guaraná também.” O garçom olhou pra ele meio ressabiado, com aquela cara de “cada um que me aparece...” e foi. Afinal o cliente sempre tem razão. O moleque nem quis saber de onde veio a encomenda, saiu pela calçada comendo com a lata de guaraná numa das mãos. O casal pareceu respirar aliviado. Ele sorveu mais um gole. Já estava naquela frágil euforia etílica onde as coisas já não têm a mesma importância da sobriedade. Pediu a conta. O garçom trouxe junto mais um chopp. Por conta da casa, afinal ele era freguês. Agradeceu. Tomou em três grandes goles. Enxugou a espuma do bigode com a mão. Pegou uma moeda do troco e se levantou em direção à saída. No caminho deu os parabéns ao grupo que comemorava que o olhou com caras de dúvida. Elogiou a menina dizendo “Bela camisa, hein?” – e arrancou um sorriso dela com cara de vem que tem. Na mesa das caçadoras jogou dois cigarros. Quem sabe assim conseguiria fazer com que elas pelo menos arranjassem alguém pra conversar. Pelo menos podiam pedir o isqueiro, ou o fogo, duas coisas bem diferentes. Ao passar pelo casal tirou a moeda do bolso e jogou na mesa. Eles olharam meio estupefatos. Ele disse: “Guardem, vocês podem precisar um dia.” E saiu. "Nada como fazer o que se tem vontade" pensou, enquanto assobiava “Com que roupa...”.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

INCÊNDIO

Tudo ardia em chamas. O teto, as paredes, até mesmo os móveis que escolhera com tanto capricho. Em minutos via sua vida desfilar por entre o calor. Lembrava dos momentos felizes, das comemorações a dois, dos dias na praia, na montanha, onde tudo começou e até mesmo quando as coisas sinalizaram que não iam mais tão bem assim. Aqueles minutos tinham a eternidade da história e o mesmo peso dos séculos. Por um segundo sentiu-se cansada, sem forças. As chamas cresciam formando sombras cada vez maiores. Não era um fogo que iluminava, que aquecia. Ao contrário, quanto mais elas teimavam em aparecer, mais gelada ela ia se sentindo. Estranha sensação. Outro antagonismo que precisava pensar. Nunca se vira cercada de idéias tão contrárias e simultâneas. Queria fugir dali, mas uma espécie de paralisia tomava conta de seu corpo todo. Queria gritar, mas por mais que tentasse articular um grunhido que fosse, seu maxilar, sua mandíbula parecia travada. O gato, a seu lado com os olhos fechados, continuava adormecido alheio a todo o incêndio. O calor chegara a tal ponto que não distinguia mais se era dentro ou fora dela. Resultado da madrugada abafada ou de todas as idéias que lhe comiam as entranhas? Não sabia. A seu lado ele dormia como um bebê.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

VAI E VEM

Diante de um Sol de Primavera, num céu com cara de outono, a vida passeia. Tal qual um oceano, milhares de gotas representam cada um de nós. Mas muitos de nós não somos mera multidão. Caminhamos, corremos, vivemos, sofremos, amamos, desejamos. É preciso ter humanidade pra tudo isso. Nem todo homem/mulher possui humanidade. Por mais vida que nosso corpo possa clamar, nem todos estão dispostos a vivê-la com seus altos e baixos, com amor e desamor, muitos com medo de sofrer, sempre antecipando o futuro e esquecendo-se do presente. Encontros acontecem a cada segundo se estamos com o rosto ao vento, com o peito ao Sol, para aquecer o coração. Para realizar a vida devemos estar atentos. Num momento de rara beleza me vejo como um sabiá que canta antes do Sol nascer. Ainda é madrugada alta, mas ele já está lá, disposto, com o peito aberto, advertindo a todos que após o breu, um novo amanhecer acontecerá. Como ondas no mar somos tragados de uma vez ao fundo, mas de repente emergimos. Em meio a tanta água, o céu desponta. Meu coração está pleno de alegria. Vejo que a Natureza a minha volta começa a se movimentar, iniciando um novo ciclo. Humildemente aguardo e me regozijo com a alegria alheia. O que será? Não sei. Não importa. O momento é hoje. Um sorriso no rosto é a porta de uma nova esperança, de um novo tempo. A vida começa outra vez. O que era branco demais, volta a ficar colorido...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

DE SALTO ALTO

Em mais uma das discussões intermináveis, ela começou a chorar.
Em meio aos gritos dele, as lágrimas começaram a escorrer devagarzinho, em silêncio, inundando primeiro sua boca, o sal secando seus lábios para escorrerem sob seu colo. Pensou: “Vão longe os tempos em que gotas dele escorriam de minha boca, inundando meu colo...” – Desviou o pensamento disso, não era hora, não era momento e de alguma forma sentia que esse tempo talvez não se repetisse mais. Foi aí que ele percebeu que ela estava chorando. “Cala a boca!” – gritou ainda mais alto. “Para de chorar que você me irrita ainda mais!” – As lágrimas teimavam em descer embora ela quisesse se fazer de forte. Queria nada. Sua vontade era mesmo pôr a boca no mundo, abrir a janela do carro e gritar lá fora que precisava de colo, carinho, precisava de um homem. Sim, porque colo de amiga naquele momento nem pensar. Queria alguém que só de olhá-la sentisse seu coração apertado, seu corpo sedento. Ele estava bem longe disso, bem longe dela. Estendeu um lenço e pediu: “Vai, enxuga isso aí, deixa de besteira!” – Teve vontade de dizer a ele que pegasse o lenço e limpasse essa vida miserável que os dois vinham arrastando há tempos. Nunca entendera porque os homens não suportam mulher chorando. Nunca. Será porque a maioria foi criado para nunca fazer isso? Ficou calada mais uma vez e virou o rosto sem pegar o lenço. Ele o jogou no colo dela. Ela fez que não viu. Não queria nada dele, ou melhor, queria. Tudo. Queria tirar a roupa ali mesmo, mostrar seu corpo como fazia no passado, com ele olhando como um menino que espia pela fechadura – entre a curiosidade e o desejo. Sofregamente abriria os lábios e os encostaria no pescoço dele, com a certeza do resultado visível na pele. O menino viraria homem em questão de minutos e ela voltaria a ser a mulher mais feliz do mundo naqueles braços, naquele momento. O carro parou no farol. Ela abriu a porta, jogou o lenço no banco e saiu andando calmamente, enquanto ouvia os gritos dele chamando-a de louca. O farol abrindo, ele tendo que partir com o carro, ela atravessando a rua de modo a ficar inatingível (mais ainda), sentindo o vento frio bater em seu rosto, secando as lágrimas com as mãos, a cada passo endireitando a postura, sentindo os saltos dos sapatos dando a cadência de seu caminhar, dos quadris, dos cabelos, tal qual uma bailarina. Ao virar a rua, sentiu o olhar de alguns homens que saiam para o almoço. Endireitou-se ainda mais, como só as mulheres sabem fazer e percebeu que não tinha medo. Ela podia tudo. Era só querer. Mas isso já era outra história.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

NOVOS ARES

Ele acordou com vontade de dizer a ela algumas verdades. Há meses não a via, mas não importava. Nada que um telefonema não resolvesse. Mas não podia ser por telefone, pensava. Ela merecia ver seu olhar, sua raiva, seu desprezo. Antagônico: raiva/desprezo. Ela achava que tinha que tocar sua vida, independente dele. Não podia mais ficar amarrada a algo que não existia. Não existia? Claro que existia, mas somente na intimidade dos dois. Os outros nada sabiam. Saber pra que? Ela não aceitava. Dizia que ele já tinha alcançado muitas coisas na vida – status, dinheiro, cultura, experiências – e ela não. Por covardia, nisso concordavam. Ela tinha medo. Nem sabia do que, mas tinha. Admirava o jeito sedutor, a inteligência, o deslizar de gato que ele tinha – tanto nas palavras quanto no andar. Tudo começou num dia de chuva. O temporal os aproximou, o frio que se formava sugeriu ainda mais intimidade e o beijo foi inevitável. Por meses a fio, as peles se enroscavam, as línguas também, tudo era sempre incontrolável. Ousaram em tudo que fantasiavam, até que nada era mais fantasia, mas lembranças que causavam ainda calor. Ela queria ser apresentada a sociedade, tal qual debutante de antigamente; ele achava bobagem, o importante era viverem aquilo que acontecia com eles. Ela queria papel e só falava em futuro. Mas o que sabemos do futuro? – pensava ele. Ele desanimava a cada dia. Não cobrava, então também não admitia. Sempre fora sincero com ela; ela teve todo direito de escolha. E direito nesse caso também é liberdade. Os encontros foram se tornando escassos. Ele não fazia mais questão de procurar saber porquê. No fundo sabia, mas sua própria escolha era mais importante. Sentia-se em paz por ter vivido, fechado no sem limite. Mas tinha raiva por ela ter sumido sem dar satisfação. Continuava covarde. Os cachorros latem por medo. E no fundo ele sabia que ela não era pra ele. O que realmente importava era o que acontece entre um homem e uma mulher – o resto é simplesmente variável. Afinal, como disse o personagem do Al Pacino em "Perfume de Mulher" : "em um momento se vive uma vida".
Pensando bem, falar pra quê, o que? Ela que fosse feliz com aquele jeito de apenas espreitar a vida.
Ele respirou fundo e abriu as janelas, mais uma vez.

FALA QUE EU TE ESCUTO

Às vezes penso que tenho uma placa invisível pendurada em algum lugar onde está escrito algo do tipo “FALA QUE EU TE ESCUTO”. Outro dia peguei um táxi para ir ao hospital – sofri um pequeno acidente que me obriga a usar uma bota moderníssima ao invés do antigo gesso. Ao ouvir a palavra “hospital” o motorista do táxi logo perguntou o que tinha acontecido comigo ou se eu ia visitar alguém. Respondi rapidamente, sem dar maiores detalhes e ele logo começou a me contar sobre seu pai doente, acamado em casa, e que depois de dirigir 14, 15h por dia, ele (o motorista) encarava a rotina de cuidar do pai, trocá-lo, dar comida e todos os cuidados necessários. Quando o elogiei pela disposição e coração, ele disse que o pai não havia feito nada por ele, que abandonara a família quando ele era apenas uma criança e por aí afora. O elogiei então pelo gesto e ele rapidamente me disse: “Não é bom coração não, é obrigação com um ser humano...” Hoje, enquanto aguardava sentada minha vez numa fila daquelas preferenciais para grávidas, idosos, deficientes e acidentados de modo geral, dei licença para um funcionário arrumar algumas coisas que estavam entre eu e uma prateleira ao lado. Ele agradecido me perguntou o que havia acontecido. Eu mais uma vez expliquei resumidamente. Ele começou a me contar sobre seu filho, hoje com 22 anos, mas que aos doze havia contraído uma doença raríssima que o impediu de andar por cinco anos. Ao final do relato onde o cumprimentei pela fé e perseverança, além do orgulho que visivelmente demonstrava pelo filho – hoje um pesquisador – ele me abraçou e agradeceu por eu tê-lo ouvido, estimando meu pronto restabelecimento. Sabem o que eu acho? Falta amor por aí. Muitos se envergonham de pedir colinho, de falar sobre suas dores, detalhes tão pequenos de nós dois, três, quatro e num dado momento, só restam mesmo os desconhecidos. Não reclamo não, porque acredito que as coisas só aparecem quando estamos prontos pra elas, embora nem sempre acreditemos nisso.

domingo, 5 de outubro de 2008

GENTILEZA - PARTE 3 - A MISSÃO

Eu não disse que fazer amigos é o máximo? Já me ensinaram a linkar os nomes!!! SALVE DAMA DE CINZAS QUERIDA AMIGA! Beijo grande!

GENTILEZA - PARTE 2

Sou uma extrema defensora de emails. Emails não tocam em horas impróprias, não aparecem sem avisar (salvo os spams mas temos como nos defender!), você não precisa fazer sala, bolo, café, etc, além de terem a vantagem de podermos pensar para respondê-los (ou não). Algumas pessoas que conheço só enviam emails de crítica. Eu também envio, mas lembro que os de elogios tem o mesmo peso. Nunca fiquei sem resposta tanto de um caso como de outro. No caso das críticas, 99% as providências foram tomadas e graças as sugestões (críticas geralmente tem conotação negativa pela maioria das pessoas) dadas por mim, acabo sempre fazendo amigos. Isso é o que me interessa. Além de voltar aos lugares mencionados em meus emails e ver com os próprios olhos que quando construímos para o bem, não tem como dar errado. Pode ser que durante algum tempo as coisas não andem como deveriam, pode ser também que demorem, mas nem tudo é no nosso tempo e a maioria das variáveis talvez não dependa de nós. Não acredito em pessoas que dizem que lá fora é sempre melhor. Cada um com seus problemas e estou falando dos países. Geralmente quem fala muito essa frase - "Aqui é Brasil" - não tem muitos carimbos no passaporte. Sempre penso que devemos fazer nossa parte. Tento isso todo dia. Acredito piamente que o tijolo da base tem o mesmo valor que o da cumieira de uma casa. Então, faço o que acredito, mesmo que seja um trabalho de formiga. E daí? Meu amigo Robson (caramba, não sei como linkar teu nome aqui - se alguém souber me ensine, por favor) me disse que também diz BOM DIA, OBRIGADO, coisas simples assim e que mudam mesmo o humor das pessoas a nossa volta. Me fez lembrar outra coisa importantíssima, a de ler os nomes nos crachás (afinal é pra isso que eles servem, certo?) e chamar os portadores pela "graça". Antigamente se perguntava: "Qual a sua graça?" ao invés de "Qual o seu nome?". Hoje, muitas vezes nem um,nem outro... Sabe Robson, sempre pergunto os nomes dos garçons por onde ando; tem coisa mais impessoal do quer ser servida o tempo todo por alguém que você nem se interessa em saber como chama?
Lembram da moça do banco da história que contei abaixo? Aqui está a resposta do banco vinda por email um dia depois que escrevi aqui:
"Prezada Carla, É com grande satisfação que recebemos a sua mensagem em reconhecimento ao atendimento prestado pela colaboradora Vanessa. Sua manifestação faz com que nós, do X-banco, busquemos sempre a excelência no atendimento. Agradecemos sua mensagem e continuamos à disposição. Atenciosamente..."

Isso faz valer a pena, o dia, a vida! Experiências anteriores comprovam que a Vanessa receberá o elogio de sua chefia. Nada melhor que trabalharmos satisfeitos, certo? Mesmo que só um repare em nosso trabalho naquele dia. Sinal que estamos fazendo nossa parte. Isso é o que importa. Me lembrei agora de um amigo que me critica porque reciclo lixo. Diz que o Governo é que tinha que fazer isso, que ele só faria se o Governo pagasse a ele. Eu continuo reciclando e olhem, não estou aqui me vangloriando, ou esperando que vocês achem que sou politicamente correta o tempo todo! Socorro, não é nada disso! Mas vou reciclando meu lixo, enviando meus emails, dizendo bom dia, obrigada, boa semana, recolhendo o cocô do meu cachorro por aí e me sentindo bem por isso. Simples assim. Dentre outras coisas acredito que essas são algumas das partes que me cabem.

Ah, meu amigo "Cara de Trinta"(espero que me ensinem a linkar!): o fato de você fazer comentários em meu blog, já é mostra de que você também faz a sua parte por aí! E obrigada a todos que me ajudam nisso! Os comentários foram a prova máxima que não estou sozinha! Beijão a vocês!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

GENTILEZA

SELF-SERVICE:
Após constatar que o azeite havia acabado:
- Por favor, você poderia me arranjar mais azeite? - Vou ver se ainda tem lá dentro e volto já! Alguns minutos depois com o vidro de azeite já nas mãos: - Pronto, aqui está! - Ah, muito obrigada, tenha uma boa semana! - Nossa!!! E ri desconcertada. - O que? - Ninguém fala isso pra gente! Até estranhei! - Ué, é o mínimo que posso dizer diante do seu gesto... - Puxa, obrigada... corando. Tão raro alguém olhar pra nós...
POSTO DE GASOLINA
- Bom dia! Por favor, pode completar o tanque! - Ah...bom dia... Sim... - Ah, o senhor também pode dar uma olhada no óleo, na água e calibrar os pneus? - Lógico, é pra já. Terminado o trabalho, enquanto efetuo o pagamento: - Muito obrigada! Tenha um bom final de semana! - Posso falar uma coisa pra senhora? - Claro, que é? - Sabia que a senhora é a única mulher que vem aqui no posto e sempre cumprimenta a gente? Mulher não fala com a gente não... - Bom, eu venho aqui há vinte anos e vou continuar falando ok? E tenha um super final de semana! – estendo a mão. Ele não sabe o que fazer, pega o pano que lustra os vidros, limpa a mão e me estende. - Puxa, obrigada... – totalmente sem graça – Um ótimo final de semana pra senhora também! Vá com Deus! - Fique com ele!
BANCO
Após aguardar as seis pessoas na minha frente, naquela fila que dizem que você é MASTER, SUPER, MEGA BLASTER SPECIAL: - Bom dia! - Bom dia – a caixa me abre um sorriso enorme. - Ah, que bom ver alguém sorrindo! Às vezes me sinto meio sozinha nesse quesito... Ela ri. Pois não? – pergunta. - Por favor, pode fazer estes depósitos, este pagamento e também vou sacar. - Claro, estou aqui para isso! Em cinco minutos deu conta do recado e detalhe: hora do almoço, horário de pico nos bancos. - Pronto. Aqui estão seus comprovantes. Tenha uma boa semana! - Muito obrigada, pra você também e parabéns pela eficiência e atendimento. Acho que vou sugerir ao pessoal da minha agência que venham aqui aprender o que é simpatia com você! Ela ri. - E tem mais: vou escrever um email elogiando seu atendimento. Afinal, emails da Ouvidoria servem também para elogios, certo? - Jura que a senhora vai me elogiar? Todo mundo já chega aqui de mau-humor, reclamando... Nossa, nem acredito que alguém faz elogios por email... - Então escreve aí teu nome e o número dessa agência e deixa o resto comigo. Tenho certeza que você lembrará quando o email chegar... - É pra já! Muito, mas muito obrigada mesmo!!! E uma boa semana! - Obrigada! Pra você também! E saí já sentindo o pessoal que estava atrás de mim na fila me olhando com aquela cara de: “Pô, não tem mais o que fazer não, do que ficar aí conversando com a caixa? Pano rápido.
Depois ouvimos por aí que as pessoas estão sozinhas, não arranjam namorado(a), amigos(as), que as coisas estão difíceis, que a culpa é do Governo ... Quanto mais eu vivo mais observo: Pensamento é ação.
E como já dizia a Marisa Monte: "por isso eu pergunto a você no mundo
se é mais inteligente o livro ou a sabedoria
o mundo é uma escola a vida é um circo
amor palavra que liberta
já dizia um profeta
apagaram tudo, pintaram tudo de cinza..."
PS: já enviei o email. Vamos aguardar a resposta.